Rio de Janeiro, 08 de Novembro de 2026

Gays comemoram uso do "nome social" na rede pública de saúde

Quinta, 06 de Março de 2008 às 10:04, por: CdB

O documento que reforça diretrizes da Carta dos Usuários da Saúde sobre a população de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (GLBTT) é comemorado como um reconhecimento dos direitos individuais. Entre as estratégias adotadas pelo Ministério da Saúde está a garantia de que essa população seja tratada com seus nomes sociais – como é conhecida – e não com os do registro civil em atendimentos nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS)
 
O presidente do grupo GLBTT Estruturação, de Brasília, Milton Santos, afirmou que a publicação do documento é uma garantia de que seus direitos começam a ser colocados claramente para toda a sociedade.

– A medida do ministério nos deixa bastante contentes. Ela é especialmente importante para travestis e transexuais que diariamente sofrem constrangimentos em todos os espaços, do público ao privado, avaliou.
 
Milton disse que a obrigatoriedade do registro do nome social nos prontuários do Sistema Único de Saúde (SUS) evita a humilhação que muitos sofrem ao serem chamados por um nome que não condiz mais com a sexualidade adotada.
 
– Totalmente femininas, vestindo trajes de mulher, de repente chamam com o nome masculino do registro civil. Ou o contrário, quando uma pessoa não se sente mais mulher e adota uma personalidade masculina. Muitas vezes, essas pessoas preferiam buscar outras formas de atendimento para não serem submetidas a esse vexame, explicou.
 
Milton Santos acredita que a medida fará com que os travestis e transexuais não se sintam mais envergonhados ao procurar os serviços médicos do governo.
 
Andréia Stefani, do Coletivo Nacional de Transexuais, que trabalha como consultora em direitos humanos, a determinação do Ministério da Saúde revigora a luta de grupos de GLBTT para o reconhecimento de seus direitos.

– Como uma das mulheres que vivenciam a transexualidade, eu, em toda a vida, me senti mulher e é natural, portanto, que me chamem com o meu nome de mulher, ressaltou.
 
Segundo a diretora do Departamento de Apoio à Gestão Participativa do Ministério da Saúde, Ana Costa, a política de tratamento de GLBTT pelo nome social já vem sendo adotada nas unidades do SUS e é apenas uma das medidas tomadas para atender às estratégias de gestão e de ação para essa população e para subsidiar as discussões das conferências estaduais.

– Mas não deixa de ser um esclarecimento no sentido de reafirmar as diretrizes que serão levadas à discussão na Conferência Nacional de GLBTT em junho próximo, afirmou.
 
De acordo com Ana Costa, o evento será o primeiro do gênero em todo o mundo a ser promovido por um governo federal. Entre outros, o objetivo da conferência será o de sensibilizar gestores, gerentes públicos e toda a sociedade sobre os efeitos nocivos dos preconceitos que ainda sofre a população de GLBTT.
 
 

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