Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Gaultier se rende à tendência de assinar produtos mais baratos

Quarta, 02 de Março de 2005 às 15:55, por: CdB

Os fãs do estilista francês Jean-Paul Gaultier podem comprar uma de suas novas saias ciganas de patchwork por 3.000 euros. Outra alternativa: encomendar seu mini-kilt do catálogo da La Redoute por 55 euros (73 dólares).

A enorme diferença nos preços se deve à crescente tendência no setor varejista do "masstige" -- ou seja, produtos de massa acompanhados do prestígio de estilistas de renome.

A La Redoute, maior empresa francesa que vende no varejo por encomenda postal, tem uma longa tradição de colaboração com estilistas de prestígio, como Yohji Yamamoto e Yves Saint Laurent.

Agora o fenômeno vem se espalhando para cadeias de lojas. A cadeia norte-americana Target oferece uma linha criada por Isaac Mizrahi, e a sueca H&M fez uma coleção de edição limitada de Karl Lagerfeld.

Mesmo editoras de moda das maiores revistas já foram vistas usando peças baratas de grife.

- Acho que qualquer coisa que leve a moda a mais pessoas, a qualquer nível de preço, é fantástico -  disse à Reuters na terça-feira a editora da Vogue norte-americana, Anna Wintour.

- Acho ótimo que empresas como The Gap ou Target estejam usando Isaac Mizrahi ou que a H&M chame Karl Lagerfeld para fazer uma coleção. Isso leva o bom design de roupas para mais pessoas.

Os compradores das butiques de marcas de primeiro nível se mostram um pouco mais cautelosos, temendo que a inundação do mercado por artigos de grife de produção mais barata possa acabar por prejudicar as marcas, a longo prazo.

- Acho que faz sentido se for feito da maneira certa, limitada - comentou um comprador de loja de departamentos norte-americana, exigindo anonimato.

A coleção de prêt-à-porter que Gaultier expôs na terça-feira para sua grife própria estava a milhões de quilômetros de distância de sua coleção feita para a La Redoute, com listras de marinheiro.

O ex-"enfant terrible" da moda francesa encarnou o espírito do "glam rocker" Marc Bolan, colocando as modelos na passarela em leggings reluzentes e boás de penas, ao som de clássicos do T. Rex como 20th Century Boy e Children of the Revolution.

Um casaco clássico em lã de camelo acompanhou leggings de cor cobre e meias de lurex usadas com sapatos de cetim de salto altíssimo. Outros detalhes retrô incluíam suéteres de mohair -- pele de cabra angorá -- e babados românticos em trench coats e camisas.

Apesar de algumas peças belíssimas, como os vestidos de noite em estilo anos 1930, a coleção não conseguiu transmitir um todo coerente.

Gaultier recentemente anunciou um plano de restruturação que envolve a demissão de 31 pessoas, visando tirar as finanças da maison do vermelho, depois de dois anos de investimentos pesados.

Ele anunciou planos de triplicar o volume dos acessórios durante os próximos três a cinco anos. Mas esse setor foi o ponto fraco de seu desfile.

Suas botas fetichistas em verniz deixaram até mesmo as modelos mais experientes com expressão de desconforto. Clientes mais discretas talvez prefiram os chinelos de dedo que Gaultier criou para a La Redoute, que os vende por 30 euros o par.

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