O presidente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), Sergio Gaudenzi, admitiu nesta quarta-feira que a estatal não tem total controle sobre a publicidade divulgada nos aeroportos brasileiros.
— Sei quanto foi pago pelas empresas [que exploram os espaços publicitários], mas não se aquele é o valor que deveria ser pago. O que precisamos é saber se a informação corresponde à verdade —, disse, em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Apagão Aéreo na Câmara dos Deputados
Gaudenzi garantiu que vai usar o programa de computador Advantage 2, adquirido da empresa FS3 Comunicação e Sistema.
— Vamos precisar colocar o software em funcionamento para de fato termos um controle que hoje até existe, mas é falho —, explicou o presidente da estatal responsável por administrar os principais aeroportos do país.
Ele adiantou, no entanto, que será preciso acionar a Justiça para receber o que falta do programa, já que a empresa de comunicação não existe mais.
— Alguém deve ser responsável por ela [FS3]. Alguém vai ter de ser acionado para entregar o que falta. Se depois, a partir daí, quem comprou [o programa] por esse preço vai ser punido, já é outra história —, disse.
A Infraero adquiriu o programa no final de 2003, por R$ 26 milhões, com o objetivo declarado de aumentar a receita obtida com a comercialização de espaços publicitários em 65 dos 67 aeroportos que administra. Do valor total, R$ 20 milhões foram pagos.
O Ministério Público Federal (MPF) suspendeu o pagamento dos R$ 6 milhões restantes, relativos à eficácia do produto. Para o Tribunal de Contas da União (TCU), o valor do programa de computador não ultrapassaria R$ 3 milhões.
Segundo a ex-assessora da presidência da estatal Márcia Gonçalves, os R$ 26 milhões incluíam, além do software e da licença de uso, uma série de serviços que deveriam ser realizados pela FS3. O sistema entrou em funcionamento pleno em maio de 2005 e o contrato foi suspenso em dezembro daquele ano.
Na terça-feira, três servidores da Infraero afastados de seus cargos foram ouvidos na CPI do Senado. Questionados sobre os indícios de irregularidade na contratação da FS3, como a dispensa de licitação para compra do software, o ex-superintendente de Planejamento e Gestão e ex-diretor comercial da Infraero Fernando Brendaglia, Márcia Gonçalves e a servidora Mariângela Russo defenderam que o produto proporcionaria maior transparência às concessões de espaços publicitários nos aeroportos.
Segundo eles, não houve tempo hábil até a suspensão do contrato com a FS3, em 2005, para que ela atingisse os objetivos almejados.
Nesta quarta-feira, Gaudenzi classificou a compra do programa como “no mínimo esdrúxula”. Segundo ele, técnicos da Infraero teriam constatado que um programa semelhante ao Advantage 2 poderia ter sido produzido no Brasil por um preço muito menor.
— A empresa [FS3] foi contratada, houve acusações graves quanto ao preço e aos problemas na licitação [dispensada]. O pagamento foi alto e, ainda assim, nós ainda não temos o controle da publicidade. Depois do que já foi pago, não há como não usá-lo, pois aí seriam dois prejuízos —, afirmou, lembrando que os espaços publicitários trazem receitas para a estatal.
Gaudenzi diz que Infraero não tem controle de publicidade divulgada em aeroportos
Quarta, 05 de Setembro de 2007 às 18:42, por: CdB