Os produtores brasileiros de arroz pedirão ao ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, que o Brasil estipule cotas para a importação do grão procedente da Argentina e do Uruguai. O pedido será feito pessoalmente pelo presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Sperotto, ao ministro Rodrigues na manhã desta quarta-feira, quando ambos se encontram em Brasília para a cerimônia de instalação da Câmara de Crédito e Cooperativismo, no Ministério da Agricultura.
Além do arroz, Sperotto levará ao ministro propostas para limitar as importações de trigo, cebola, alho e vinho. Amilton Fernando Cunha Soares, diretor-administrativo da Farsul, afirma que o pleito dos produtores é limitar as importações dos países vizinhos a 50 mil toneladas por mês até o final deste ano.
- Depois disso, nos sentamos para negociar e podemos até fechar as portas - disse.
Soares justifica a imposição de cotas com o fato de que o Brasil se tornará superavitário na produção de arroz neste ano, o que não acontecia desde 1979.
O país produzirá 12,7 milhões de toneladas neste ano, ante um consumo de 12,6 milhões de toneladas. Além disso, nesta terça-feira, os produtores nacionais anunciaram a venda de 25 mil toneladas para um país africano, cujo nome ainda permanece em segredo. Esse mesmo país teria encomendado outras 200 mil toneladas para embarque em agosto.
- Não tem mais por que importarmos 800 mil toneladas de arroz do Mercosul se já produzimos o suficiente para o nosso consumo. O Mercosul tem que se unir em vez de inundar o mercado brasileiro - afirmou Soares.
O presidente da Federação dos Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Valter José Potter, embarcou nesta terça-feira para a Argentina, onde conversará com agricultores locais sobre o pleito brasileiro. O objetivo da viagem é, entre outras coisas, convencer os produtores vizinhos a exportar o grão para outros locais.
Antes de embarcar, Potter disse à Reuters que espera reproduzir, no caso do arroz, o episódio conhecido como "guerra das geladeiras", em que empresários argentinos pressionaram e conseguiram limitar as importações de eletrodomésticos brasileiros.
- A Argentina abriu o precedente", afirmou Potter. "E o arrozeiro é guerreiro. Se preciso for, fechamos a fronteira.