Os empresários gaúchos do setor coureiro-calçadista reagiram ao protesto dos argentinos contra a invasão dos calçados brasileiros sugerindo que os vizinhos do Mercosul aprimorem a competitividade de sua indústria. Para Flávio Fischer, presidente da Associação Comercial e Industrial de Novo Hamburgo e Campo Bom, que representa cerca de 1.300 empresas, a reação dos argentinos é normal diante da crise, mas improcedente. "Se forem competentes, podem produzir sapatos e entrar no Brasil", disse Fischer. "Antes dessa crise, quando o câmbio estava favorável a eles, não estavam preocupados." Segundo o empresário gaúcho, os argentinos já estão há dois anos tentando impor cotas para a importação de sapatos brasileiros, mas não resolvem o seu problema estrutural, que é o sucateamento do parque industrial. Fischer comparou a situação cambial desfavorável a Argentina com os problemas enfrentados pelo Brasil por causa dos calçados da China. "Sofremos pela mão-de-obra quase escrava que existe na China e faz o preço deles ficar lá embaixo, mas buscamos contornar isso melhorando nossa qualidade. Não adianta ficar nos queixando."
Gaúchos criticam indústria de calçados argentina
Quarta, 19 de Dezembro de 2001 às 01:06, por: CdB