Rio de Janeiro, 29 de Janeiro de 2026

Gastos com armas alcançam US$ 1,2 trilhão no mundo

Estados Unidos gastaram US$ 529 bilhões com armas em 2006, o que corresponde a 46% do total. Levantamento do Instituto de Pesquisa de Paz Internacional de Estocolmo constata que os gastos com armas cresceram 3,5% em comparação com o ano passado. (Leia Mais)

Segunda, 11 de Junho de 2007 às 08:27, por: CdB

Os gastos de armas realizados por governos de todo o mundo alcançaram US$ 1,2 trilhão em 2006, uma elevação de 3,5% nos gastos militares do planeta em comparação com o ano anterior, revelou o Instituto de Pesquisa de Paz Internacional de Estocolmo (Sipri) em um relatório anual divulgado nesta segunda-feira.

De acordo com o documento apresentado em Estocolmo, a China superou o Japão na condição país asiático que mais gastou em armas ao longo do ano passado ao mesmo tempo em que os Estados Unidos mantiveram-se isolados na dianteira do ranking de gastos militares.

Ao mesmo tempo, cinco países do Oriente Médio, uma das regiões mais conturbadas do planeta, aparecem entre os dez maiores importadores de armas do mundo no ranking do Sipri. "Enquanto a mídia dedica grande parte de sua atenção às compras de armas feitas pelo Irã, a maior parte delas junto à Rússia, as transferências de armas feitas pelos Estados Unidos e pela União Européia (UE) a países como Israel, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos são significativamente maiores", constatou o instituto.

Segundo os números levantados pelo Sipri, os EUA foram responsáveis por quase a metade de todo o dinheiro dedicado por governos a armas em 2006, gastando US$ 529 bilhões.

Os gastos militares norte-americanos também cresceram acima da média mundial, alcançando 4,75% de aumento. Em 2005, os EUA gastaram US$ 505 bilhões em armas.

"O acentuado aumento nos gastos militares dos Estados Unidos deve-se em grande parte às custosas operações militares do país no Afeganistão e no Iraque", avalia o Sipri em seu relatório anual.

O Reino Unido e a França ocupam respectivamente os segundo e terceiro lugares no ranking de gastos militares. De 2005 para 2006, a China ultrapassou o Japão e figura agora em quarto lugar, com quase US$ 50 bilhões de seu orçamento dedicados a armas. O governo japonês vem a seguir, com o equivalente a US$ 43,7 bilhões gastos em armas.

Os números apresentados pelo Sipri usam como base a cotação do dólar americano no fim de 2005.

Segurança

"É válido questionar qual seria a eficácia do aumento de gastos militares como forma de aumentar a segurança às vidas humanas", comentou Elisabeth Skons, pesquisadora do Sipri. "Milhões de vidas poderiam ser salvas com investimentos nos serviços básicos de saúde que representariam apenas uma fração do que o mundo gasta anualmente com fins militares."

Os gastos mundiais com armas crescem continuamente desde 2002, segundo o relatório do Sipri. China e Índia figuram como os principais importadores de armas. Por sua vez, EUA e Rússia aparecem como os maiores exportadores.

De acordo com a análise do instituto, a Rússia, cujos gastos militares alcançaram US$ 34,7 milhões em 2006, "usa sua riqueza energética para resgatar o orgulho nacional e a influência" sobre seus vizinhos, "além de maximizar seu poder geopolítico".

O Sipri, em grande parte financiado pelo governo sueco, figura há anos como principal monitor do comércio internacional de armas e divulga periodicamente análises sobre os gastos militares no mundo.

Em seu relatório, o instituto salienta ainda que China, EUA, França, Grã-Bretanha e Rússia mantinham juntos mais de 26.000 ogivas nucleares no início de 2007. "Apesar de o número de ogivas estar em queda gradual, esses cinco países estão conduzindo ou planejando programas para renovar seus arsenais nucleares", analisou o Sipri.

O documento ressalta ainda que o governo americano repassou US$ 432 bilhões adicionais à sua guerra contra o terrorismo entre setembro de 2001 e junho de 2006. "Esse aumento significativo dos gastos militares americanos é um dos fatores que provocam a deterioração observada desde 2001 na economia dos Estados Unidos", conclui o relatório.

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