Os últimos envelopes da licitação para as obras de construção do gasoduto Coari-Manaus, prevista para começar no início de 2006, serão abertos nesta quinta-feira. A informação é do coordenador de Gás e Energia da Petrobras na Amazônia, Ronaldo Mannarino, acrescentando que o projeto custará US$ 500 milhões e vai gerar uma economia para o país da ordem de US$ 350 milhões ao ano.
- É um projeto que se paga em um ano e quatro meses, um recorde, dada a característica da matriz energética da Amazônia, baseada no consumo do óleo diesel pelas termelétricas - disse.
Mannarino lembrou que Manaus talvez seja a única cidade de seu porte, no mundo, a utilizar ainda o diesel como combustível para a geração elétrica.
- Não existe nenhum lugar no mundo em que se consiga manter uma matriz energética de uma cidade como Manaus, com 1,5 milhão de habitantes, gerando energia a óleo diesel. Muito caro e muito mais poluente que o gás natural - disse.
Segundo o coordenador, a concessão em tempo recorde do licenciamento ambiental, feito pelos pesquisadores e técnicos do projeto Piatam (Potenciais Impactos e Riscos Ambientais da Indústria do Petróleo e Gás no Amazonas) com base em dados armazenados nos últimos cinco anos, possibilitou o adiantamento dos projetos.
- O Exército já abriu as clareiras e agora nós estamos fazendo o levantamento topográfico, com a abertura de uma picada para identificação dos melhores pontos de passagem. Se a licitação for concluída com êxito na quinta-feira, com a abertura dos últimos envelopes, a partir de janeiro as equipes serão mobilizadas para iniciar os trabalhos de campo, que começarão no início de março - informou Mannarino.
Ele disse ser possível, no entanto, que em janeiro a balsa de lançamento marítimo da Petrobras inicie a travessia do Rio Negro:
- A balsa já está seguindo para Manaus e vamos lançar os dutos no fundo do rio já no próximo mês.
O gás de Urucu, uma das maiores províncias petrolíferas da Petrobras em terra, deverá chegar à capital amazonense para pré-operação no primeiro trimestre de 2007.
- Vamos trabalhar com uma primeira encomenda de 5,5 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia. Começaremos entregando 2,8 a 3 milhões de metros cúbicos por dia até chegarmos ao volume contratado - afirmou Mannarino.
O coordenador negou discordância das entidades locais sobre o projeto, mas admitiu "um oportunismo saudável" da Petrobras, ao utilizar dados do Projeto Piatam, "do qual é uma das patrocinadoras, junto com a Financiadora de Estudos e projetos (Finep)", para agilizar o processo de licenciamento ambiental.
- Os estudos foram bem recebido por todos os segmentos, tanto o científico quanto por parte da sociedade civil - afirmou.