Tropas de choque usaram gás lacrimogêneo e jatos d'água para dispersar manifestantes nesta quinta-feira em frente à Universidade Sorbonne, em Paris, após mais um dia de manifestações contra as reformas nas leis trabalhistas para os jovens. Milhares de estudantes da Sorbonne, famosa pelas manifestações estudantis de maio de 1968, atiraram pedras e garrafas nos policiais e quebraram a vidraça de um banco antes que os agentes reagissem.
O grupo se dispersou diante da nuvem de gás que se formou na praça, mas muitos estudantes, alguns encapuzados e mascarados, se reagruparam para retomar o ataque aos policiais que protegiam o prédio principal da mais tradicional universidade parisiense. A certa altura, eles gritavam as siglas "CRS, SS", comparando a tropa de choque francesa CRS ao pelotão nazista de elite, a SS.
Horas antes, uma multidão de universitários e secundaristas fez uma passeata pacífica por Paris, que terminou em um bairro sofisticado, onde uma minoria violenta entrou em confronto com a polícia. Líderes estudantis estimam que 120 mil pessoas tenham participado da passeata. Para a polícia, foram apenas 30 mil. Os estudantes protestam contra um novo tipo de contrato de trabalho, apresentado pelo primeiro-ministro Dominique de Villepin como forma de combater o desemprego juvenil. Segundo críticos, a lei facilita a demissão de jovens.
Os protestos podem prejudicar as ambições de Villepin de disputar a presidência em 2007.