O juiz espanhol Baltasar Garzón, da Audiência Nacional, principal instância penal espanhola, disse na noite desta sexta-feira, em Lisboa, que a guerra no Iraque foi "ilegal, injusta, imoral e inútil". Garzón foi entrevistado à margem de uma conferência sobre terrorismo internacional e defesa do Estado de direito internacional.
- A luta contra o terrorismo que a administração americana realiza é, em parte, correta, mas, por outro lado, também não é porque se baseia na utilização da força, independentemente da legalidade ou da ilegalidade internacionais - declarou o magistrado.
Do ponto de vista do Estado de direito, uma intervenção militar viola o princípio básico do respeito aos direitos fundamentais das pessoas, como, segundo ele, foi o caso dos presos de Guantánamo, acusados de pertencer à rede Al-Qaeda.
Garzon é mundialmente famoso por ter conseguido deter o ditador chileno Augusto Pinochet em 1998 e por obter a extradição, por parte do México, do ex-oficial argentino Ricardo Miguel Cavallo, acusado de genocídio e terrorismo sob a ditadura argentina (1976-83), atualmente em prisão preventiva na Espanha.