Gavin Arganzo, a suposta vítima de Michael Jackson o acusa de ter abusado dele cinco vezes, no seu depoimento filmado em julho de 2003, exibido nesta sexta-feira ao júri do processo contra o astro, em Santa Maria (Califórnia, oeste).
Pouco após a divulgação deste filme, a defesa indicou que desistia de apresentar depoimentos, o que abre uma nova fase do julgamento na próxima semana, com as alegações finais, antes de os jurados se retirarem para deliberar.
No filme, a suposta vítima, então com 13 anos, depõe com uma voz baixa, às vezes interrompida por soluços e choro, ao lado de dois policiais que tentam deixá-la à vontade.
O menino disse se lembrar de uma vez na qual Michael Jackson estava "muito bêbado" e o fez, também, beber álcool. Ele estava, então, na cama do cantor, em seu rancho de Neverland, a 50 km de Santa Maria.
"Ele me disse que os meninos deveriam se masturbar, porque se não o fizessem, ficariam loucos. Ele me disse que queria me mostrar como fazer isso e eu lhe disse não. Ele disse que faria por mim", acrescentou, com a voz trêmula.
"Pegou nas minhas partes íntimas. Pôs a mão dentro da minha cueca e começou a me masturbar". "Eu disse que não queria isso e ele continuou", disse então o menino. Perguntado sobre quando Jackson parou, ele respondeu que "após muito tempo".
"Ele me disse que não havia problema, que era natural", acrescentou. "Uma vez, ele pegou a minha mão e a colocou sobre suas partes íntimas, quando estava sem roupa".
Interrogado sobre o número de vezes que essa situação se repetiu ele responde: "cinco vezes".
O menino disse também, no vídeo, que dormia com frequência na cama de Jackson e que ele lhe dava bebidas alcoólicas "todos os dias", eram "garrafas de uísque, de vodka e de rum". "Uma vez (...) me disse: não conte nada à sua família que eu te dei vinho ou álcool e te darei um relógio que vale US$ 75 mil."
A divulgação deste vídeo, mostrado integralmente, pela primeira vez, aos jurados, foi efetuada num silêncio absoluto.
"Era a melhor conclusão que a acusação poderia esperar", declarou o ex-procurador Craig Smith, na parte de fora do tribunal. Segundo ele, a defesa desistiu de apresentar depoimentos porque será difícil refutar este vídeo.