Ex-governador do Rio, Anthony Garotinho procurou mostrar otimismo quanto às chances de se tornar efetivamente o candidato do PMDB à Presidência da República e, nesse caso, não ser abandonado pelo partido.
- Se a candidatura decola ninguém abandona. Se não decola, é natural o espírito de sobrevivência das pessoas - disse Garotinho durante o programa Roda Viva, da TV Cultura, transmitido na madrugada desta terça-feira.
Garotinho derrotou, no domingo, o governador licenciado do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, na consulta feita pelo PMDB às bases do partido para a escolha do candidato à Presidência. Inicialmente previstos para funcionarem como prévias oficiais, os encontros estaduais do fim de semana se transformaram em uma consulta informal depois que uma liminar do Superior Tribunal de Justiça suspendeu as mesmas.
Embora tenha dito que não há pressa para crescer, o fato é que o ex-governador tem até junho, quando ocorrem as convenções para oficializar os candidatos dos partidos, para decolar e garantir apoio interno. Mas apostando que estará na disputa presidencial deste ano, Garotinho disse que fará uma campanha melhor que em 2002, quando tentou o Palácio do Planalto pelo PSB, já que terá mais tempo no horário eleitoral gratuito do rádio e da TV e candidatos viáveis aos governos de vários Estados.
Além disso, espera ter aprendido com os erros de quatro anos atrás, quando acabou em terceiro lugar, tendo mais de 15 milhões de votos, apesar da pequena estrutura do PSB, comparada à do PMDB.
- Eu tinha uma posição muito agressiva - admitiu, prometendo que desta vez procurará evitar ataques aos adversários.
Ele prevê pesados ataques mútuos entre o candidato do PSDB, o governador Geraldo Alckmin, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, que deve tentar a reeleição.
- Vou ser um expectador privilegiado nessa eleição - disse.
Mas evitar ataques não significa abrir mão do que chamou de "críticas pontuais". O ex-governador classificou como "grave" a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa, que contradisse declarações do ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Ele questionou também o fato de, até agora, nada ter acontecido com o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, que admitiu publicamente a prática de caixa dois em campanhas eleitorais.
E ainda ironizou Lula, que segundo ele, começou a "inaugurar o futuro", referindo-se à participação do presidente no lançamento de obras em seu início. "É uma nova modalidade: inaugurar a intenção."
Juros
O ex-governador voltou a dizer que é preciso abaixar os juros, uma ação que, combinada a uma redução da carga tributária e ao aumento do crédito, poderá garantir um maior crescimento econômico do país.
- É um erro intelectual. É uma visão equivocada do processo - disse, referindo-se à atual política monetária, que determina taxas de juros reais elevadas.
Ao ser perguntado se cumpriria a Lei de Responsabilidade Fiscal, disse que ela "é importante para o país", mas que é preciso fazer algumas adequações. Deu como exemplo a proposta de excluir da base de cálculo da receita líquida dos Estados e municípios, para efeito de pagamento da dívida com a União, os gastos com saúde, educação e segurança.
Apesar de se esquivar de responder algumas perguntas, acabou defendendo que a polícia aja em situações como as do Rio de Janeiro, quando envolve uma população inocente.
- Os bandidos se escondem no morro. A polícia vai fazer o quê? Sobe ou não? Tem que subir - disse.