Ex-governador do Rio, Anthony Garotinho (PMDB) classificou como "graves" as denúncia do presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), sobre um suposto esquema de mesada a parlamentares em troca de apoio ao governo no Congresso.
- É muito grave. Tivemos um presidente cassado no Brasil porque o motorista disse que depositavam dinheiro na conta do laranja. Agora não é um motorista, é um deputado federal, presidente de um partido da base do governo - disse Garotinho a jornalistas, referindo-se ao impeachment do presidente Fernando Collor de Mello.
Em entrevista publicada pela Folha de S.Paulo nesta segunda-feira, Jefferson afirma que o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, pagava uma mesada de 30 mil reais a parlamentares do PP e do PL em troca de apoio em votações e que o esquema só teria sido suspenso quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomou conhecimento.
Apesar de considerar complicada a situação, Garotinho disse não torcer pelo "quanto pior, melhor".
- Se o governo não tiver muita calma, pode perder o controle. Não quero ver a desgraça do governo, mas isso pode significar a desgraça do Brasil - disse Garotinho, acrescentando que denúncia "depõe contra imagem da classe política e do país, dos partidos e enfraquece as instituições".
Tanto o PT como representantes de PL e PP negaram qualquer troca de apoio parlamentar por recursos. Líderes governistas classificaram como "desesperada" a atitude de Jefferson, envolvido em denúncias de um suposto esquema de propinas nos Correios. Para o deputado Chico Alencar (PT-RJ), também presente ao evento no Rio de Janeiro, os parlamentares que tiveram seus nomes citados por Jefferson deveriam abrir voluntariamente seus sigilos fiscal, bancário e telefônico.
- Sou favorável à quebra dos sigilos, até porque 30, 40 mil reais não somem de uma hora para outra - disse Alencar.
O deputado petista disse continuar apoiando a CPI dos Correios e lembrou que a denúncia de Jefferson já tinha circulado em Brasília.
- Como fofoca e notinhas de imprensa, essa história já tinha circulado por aí. O deputado Miro (Teixeira) já tinha falado sobre isso, mas depois disse que não poderia comentar nada, porque não tinha provas - disse o petista.