O esquadrão antibombas da polícia foi acionado na madrugada desta quinta-feira após garis terem encontrado explosivos amarrados a um relógio numa rua da zona norte do Rio de Janeiro, no quinto dia da onda de violência que já deixou ao menos 23 mortos e assusta a cidade. Seis cartuchos de dinamite, amarrados a um relógio, foram encontrados ao lado de uma lata de lixo durante a limpeza de ruas em Madureira. De acordo com um inspetor da polícia, o dispositivo não tinha detonador, mas o material é altamente explosivo. - Não tinha mecanismo de acionamento, jamais iria explodir, mas é algo que deixa o psicológico bastante abalado, porque são explosivos com poder de destruição -, disse por telefone um inspetor do esquadrão antibombas, que pediu para não ser identificado. Entre a noite de quarta-feira e a manhã desta quinta, mais quatro veículos foram incendiados em vias da cidade, incluindo um ônibus em que o motorista levou um tiro na cabeça por ter se recusado a parar o coletivo, informou a Polícia Militar. Ele foi levado para um hospital em estado grave. Também houve um veículo incendiado em Botafogo, na zona sul, região nobre da cidade. Ao menos 53 veículos foram queimados desde domingo, quando foi deflagrada a onda de ataques a veículos e alvos policiais na cidade e região metropolitana. De acordo com a Polícia Militar, morreram 23 pessoas em confrontos com policiais em três dias de operações em favelas, com mais de mil homens envolvidos, em reação aos ataques. Nesta quinta-feira a polícia permanece com ações em diversas comunidades controladas pelo crime organizado. Durante uma incursão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) na Vila Cruzeiro, na zona norte, na quarta-feira, uma adolescente de 14 anos foi atingida por uma bala perdida dentro de casa e morreu no hospital. Outros moradores também foram feridos por balas e levados para o principal hospital da região, segundo a Secretaria de Saúde do Estado. Autoridades da área de segurança consideram que essas ações violentas são uma resposta à nova estratégia implementada na capital com as Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs), que provocaram a saída de chefes do tráfico de favelas onde esse tipo de policiamento foi instaurado. Acuado e forçado a deixar algumas áreas da cidade, o crime organizado estaria reagindo. O governador Sérgio Cabral disse que a onda de atos de violência representa uma "tentativa desesperada" dos criminosos de tentar desestabilizar a política de segurança do Estado. A implantação das UPPs em 15 das centenas de favelas espalhadas pela cidade é considerada o maior avanço na área de segurança pública da capital fluminense nos últimos anos, e a medida foi inclusive citada pelo Comitê Olímpico Internacional como um exemplo de que a cidade será segura para a Olimpíada de 2016. O Rio também será palco central da Copa do Mundo de 2014.
Garis encontram dinamite em cesto de lixo em Madureira
O esquadrão antibombas da polícia foi acionado na madrugada desta quinta-feira após garis terem encontrado explosivos amarrados a um relógio numa rua da zona norte do Rio de Janeiro, no quinto dia da onda de violência que já deixou ao menos 23 mortos e assusta a cidade.
Quinta, 25 de Novembro de 2010 às 13:03, por: CdB