Presidente tampão há sete meses, eleito para reconduzir o Senado à normalidade institucional após a maior crise da história da Casa vivida em 2007, que culminou com a renúncia do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), o senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) encerra o primeiro semestre de sua gestão lamentando a falta de qualidade dos debates travados por seus colegas em plenário.
– Hoje, o melhor debate da Casa não é o do Plenário, é o das comissões. São elas que dão oportunidade ao debate – disse em entrevista.
De acordo com o presidente do Senado, o que se apresenta hoje são discursos muitas vezes carentes de argumentos.
– No plenário só em uma matéria ou outra é que se vê que o debate é produzido. A linguagem é outra e os oradores deveriam se preparar mais para o discurso – aponta Garibaldi.
Além de despreparo, o presidente do Senado considera que boa parte dos colegas é seduzida pelas transmissões ao vivo das sessões plenárias pela rádio e TV oficiais. O alto número de senadores suplentes, 19 de um total de 81, é outro fator que, segundo Garibaldi, contribui para a queda da qualidade nos embates parlamentares e no trabalho legislativo.
– Temos de reconhecer que, é obvio, um suplente que chega hoje não tem a experiência do titular. A Casa, inicialmente, se ressente disso, porque como qualquer novato, e o suplente é um novato, daqui que ele vá se adaptar plenamente o Senado vai perder alguma coisa – disse.
Garibaldi, no entanto, se confessa um discípulo do ditado popular “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”. De dezembro para cá, pondera, além de retomar a normalidade institucional, criou-se no Congresso uma consciência de que alguns problemas têm que ser enfrentados, como a necessidade de se por um fim ao excesso de medidas provisórias editadas pelo presidente da República e o permanente trabalho para se coibir fraudes com recursos do Orçamento da União.
O presidente do Senado está preocupado que a produtividade da Casa tenha ficado aquém do desejável. Garibaldi resume sua opinião sobre o baixo desempenho dos senadores em uma só palavra: votar.
– Não tenho muita fixação em determinadas coisas. Queria votar. Não votar só os projetos que eu idealizo. Votar até o que eles quisessem, mas votar. E não ficar, como ficamos aqui, duas ou três semanas às vezes sem votar nada – afirma.
A falta de votação Garibaldi debita na conta das lideranças governistas e da oposição. A seu ver, a radicalização de posições por muitas vezes sacrifica o trabalho legislativo desnecessariamente.
– As posições políticas são muito radicais e não levam em conta, muitas vezes, a própria instituição – disse.
Mas o parlamentar garante que ainda se faz política com pê maiúsculo na Casa. Prova disso, segundo Garibaldi, aconteceu na semana passada quando os partidos deixaram de lado a queda-de-braço e votaram o projeto de lei que cria o piso salarial de R$ 950 para os professores do ensino básico.
– Essa pauta da educação foi uma coisa exuberante. Estava aí, à vista de todos, era facílimo já ter votado tudo isso. Uma estupenda vitória que poderia já ter vindo – observa o presidente do Senado.
Ciente de que a atual situação, até mesmo pelas radicalizações de posturas, ainda persistirá por algum tempo, Garibaldi mantém a convicção de que o único caminho é a persistência no aperfeiçoamento legislativo, no intuito de fazer com que o Senado retome a sua imagem histórica de Casa dos grandes debates.
– Percebe-se que vai continuar a ser assim. Não há como se mudar o ritmo dessa história de repente. Não se vai mudar. Os atores são os mesmos, a história é a mesma, a Casa é a mesma. Não tem como. Agora, há uma consciência nova de que alguma coisa precisa ser feita de uma maneira diferente e isso vai ser feito – disse.
Garibaldi lamenta falta de qualidade dos debates no Senado
Presidente tampão há sete meses, eleito para reconduzir o Senado à normalidade institucional após a maior crise da história da Casa vivida em 2007, que culminou com a renúncia do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), o senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) encerra o primeiro semestre de sua gestão lamentando a falta de qualidade dos debates travados por seus colegas em plenário. (Leia Mais)
Domingo, 06 de Julho de 2008 às 08:51, por: CdB