O presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), classificou de elementar a distribuição de cargos no governo para aliados políticos.
– Estou me referindo a uma coisa muito cristalina na democracia. Como os partidos fazem parte da base do governo e o governo não se sente animado a dar àqueles partidos a possibilidade de representantes seus integrarem determinados ministérios? Estou sendo tentado a dizer uma coisa que pode parecer pedante: isso é elementar, disse.
O ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, disse que o governo já começou a analisar a distribuição de cargos em ministérios e estatais para aliados políticos. Entre os cargos que segundo o ministro estão próximos de um desfecho está o de ministro das Minas e Energia, vaga pertencente ao PMDB, partido de Garibaldi, e que está desocupada desde a saída de Silas Rondeau, em maio do ano passado, por suspeita de envolvimento em esquema de desvio de recursos públicos.
– Temos um governo de coalizão, de cooperação dos partidos da base com o governo, mas isso não é uma mão única, é uma mão de via dupla. O governo, recebendo essa contribuição, tem também de ter no seu ministério representantes dos partidos, completou Garibaldi.
O presidente do Senado ainda rebateu as críticas de que poderia ter a intenção de favorecer o governo ao não convocar a Comissão Representativa do Congresso para discutir o pacote tributário lançado na semana passada. Com a isso, os projetos de decreto legislativo protocolados esta semana pela oposição que questionam o aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e a fiscalização de dados de correntistas serão discutidos apenas depois do recesso parlamentar, depois do carnaval.
Segundo Garibaldi, é melhor, inclusive para a oposição, discutir o assunto com os 81 senadores presentes durante o ano legislativo e não durante o recesso parlamentar na Comissão Representativa, composta por apenas 17 deputados e oito senadores, a maioria de partidos da base governista.