Rio de Janeiro, 12 de Janeiro de 2026

Gárcia Márquez diz que 'há uma multidão faminta por leitura'

Segunda, 26 de Março de 2007 às 18:16, por: CdB

O escritor colombiano Gabriel García Márquez convidou, nesta segunda-feira, seus colegas de ofício a suprirem a demanda gerada pela "descomunal multidão faminta por leitura" no idioma espanhol.

Homenageado no 4º Congresso Internacional da Língua Espanhola por seus 80 anos de vida, 40 de publicação da obra-prima "Cem anos de solidão" e 25 do seu Nobel de Literatura, "Gabo", vestido todo de branco, foi aplaudido de pé em várias ocasiões por mais de 2.000 pessoas.

A platéia o viu receber no evento o primeiro exemplar de uma edição comemorativa de seu romance mais famoso, "Cem anos de solidão".

- Não se trata nem pode se tratar de reconhecimento a um escritor. Este milagre é a demonstração irrefutável de que há uma quantidade enorme de pessoas dispostas a ler histórias na língua castelhana -, disse ele no discurso de agradecimento, lido pausadamente.

 Relembrando sua carreira, García Márquez revelou que até hoje digita seus livros apenas com os indicadores.

- Não sei a que horas tudo aconteceu (o começo da carreira). Só sei que desde que tinha 17 anos e até a manhã de hoje não fiz coisa diferente de me levantar cedo todos os dias, sentar na frente de um teclado para encher uma página em branco, ou uma tela vazia de computador, com a única missão de escrever uma história ainda não contada por ninguém -, disse.

Para escrever "Cem anos de solidão", García Márquez passou mais de seis meses no México sem ganhar um centavo -sua mulher, Mercedes, se encarregava de negociar adiamentos do aluguel e de levar comida para casa.

Sob risos da platéia, ele admitiu que, ao terminar de escrever a saga da fictícia Macondo, ia enviá-la pelo correio à Editorial Sudamericana, em Buenos Aires, mas percebeu que não tinha dinheiro suficiente.

Decidiu então dividir em duas partes o manuscrito de 590 páginas datilografadas em espaço duplo. Enviou a segunda e ficou com a primeira, que só foi remetida à Argentina quando o editor, inquieto para conhecer o começo da história, mandou mais dinheiro.

- E é isso que me aconteceu. O que vejo é que o leitor inexistente da minha página em branco é hoje uma descomunal multidão faminta de leitura de textos em língua castelhana -, afirmou García Márquez.

Os reis da Espanha, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, o escritor mexicano Carlos Fuentes e o ex-presidente dos EUA Bill Clinton assistiram à cerimônia.
 

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