Mais de 600 policiais e agentes federais foram mobilizados ontem para uma operação antidrogas com o objetivo de prender membros de duas grandes gangues de rua de Nova York, os Bloods e os Latin Kings. Os dois grupos eram rivais nos anos 90, mas agora trabalham juntos.
Fortemente armados, agentes da Swat do FBI cercaram vários prédios em Newburgh - uma cidadezinha nos arredores de Nova York - e prenderam 60 suspeitos de participarem dos Bloods e outros 18 que estariam associados aos Latin Kings.
A operação foi resultado de imvestigações que levaram em consideração pistas fornecidas pelos acusados de um arrastão na Times Square, ocorrido no domingo de Páscoa.
Os investigadores do FBI acreditam que a associação entre as duas gangues teve como base um acordo para a divisão de territórios, onde os Bloods ficaram com a região nordeste da cidade de Ñewburgh e os Latin Kings passavam a controlar a região entre a Benkard Avenue e a William Street, o sudeste de Newburgh, mais habitado por hispânicos. Esses teritórios seria a base para incursões de grupos que fariam assaltos e tráfico de drogas em Nova York, especialmente na região do Bronx.
Segundo a polícia, as duas gangues concentram o tráfico de crack e de cocaína, usando sobretudo menores, estudantes em escolas do Bronx e de Manhattan, especialmente do Harlem. O acordo entre gangues de negros e de latinos é uma associação inédita na história do do crime nos Estados Unidos, já que os dois grupos eram arqui-inimigos até a década passada.
De acordo com O chefe de polícia de Newburgh, Eric Paolilli, a polícia encontrou grandes estoques de drogas em poder das duas quadrilhas. A investigação policial, que teve a participação de agentes municipais e federais, ganhou o nome de código de "Operação Coroa Negra".
O promotor do Southern District de Nova York, Preet Bharara, acrescentou que pelo número de policiais e pelo amplo espectro de investigações, trata-se da maior operação policial da última década em Nova York, depois que a cidade e seus arredores passaram pelo programa "Tolerância Zero", nos anos 90.