Presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli disse em carta endereçada aos funcionários da estatal que a instalação da CPI que pretende investigar irregularidades na empresa "é um momento delicado para a companhia".
"Talvez, a sua maior crise. Mas a Petrobras é maior que a crise. A CPI vai passar, a companhia vai sair dela muito mais fortalecida e continuar como orgulho do Brasil e dos brasileiros", afirmou Gabrielli na carta, divulgada pela assessoria de imprensa da Petrobras.
"Nossa posição é de muita tranquilidade em relação aos temas que estão apresentados no requerimento para a constituição da CPI", acrescenta o documento.
Na carta, Gabrielli lista e rebate seis acusações que pesam sobre a empresa e acrescenta que a estatal demonstrará aos parlamentares a inexistência de irregularidades em cada um dos itens levantados. A CPI da Petrobras foi formalmente instalada nesta terça-feira, e a base de sustentação do governo usou sua maioria para colocar governistas nos cargos-chave da comissão.
O senador João Pedro (PT-AM) presidirá a CPI e o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), será o relator. O inquérito sobre a Petrobras engloba denúncias de supostas fraudes contábeis e em licitações para reforma de plataforma de petróleo. Também pretende apurar suspeitas de superfaturamento na construção da refinaria Abreu Lima (PE) e possível desvio de recursos dos royalties do petróleo por funcionários da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Relatório
Instalada nesta terça-feira, o comando da CPI passou integralmente às mãos dos governistas, após a eleição para a presidência com todos os oito votos da base aliada. O senador João Pedro (PT-AM) indicou para a relatoria o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), fiel escudeiro do Palácio do Planalto em crises passadas.
– Eu vou fazer um trabalho técnico. Não vou fugir um milímetro do escopo que motivou a CPI – disse Jucá, prometendo entregar um plano de trabalho na primeira reunião formal da comissão, marcada para a manhã de 6 de agosto.
O inquérito instaurado sobre a Petrobras apura denúncias de supostas fraudes contábeis e em licitações para reforma de plataforma de petróleo. Também ira investigar suspeitas de superfaturamento na construção da refinaria Abreu Lima (PE) e possíveis desvios de recursos dos royalties do petróleo por funcionários da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
– Não queremos transformar essa CPI em uma disputa eleitoral antecipada – afirmou o líder do PT na Casa, Aloizio Mercadante (SP) antes da votação.
Dias atrás, quando a investigação sobre a estatal já era considerada inevitável, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confidenciou a um senador petista não estar disposto a "encarar mais uma CPI do mensalão", em que o partido e o próprio Executivo foram submetidos a uma verdadeira devassa, mais tarde usada como arma eleitoral pela oposição.
– Não queremos fazer disso uma campanha política, mas somos contra aqueles que usam a Petrobras como instrumento de governo – disse o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).
O PSDB já apresentou à presidência da comissão uma lista de 43 pedidos, requisitando o conteúdo de investigações empreendidas pela Polícia Federal e pelo Tribunal de Contas da União, além de requerimentos de convocação. Gabrielli ainda não figura em nenhum deles.
Alvo de denúncias – inclusive por ter supostamente desviado recursos culturais da Petrobras por meio da fundação que leva seu nome –, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), é sustentado no cargo pela mesma coalizão governista que dirige a CPI.
– Não vai ser a CPI da denúncia do Sarney, mas isso vai chegar lá – alertou o líder do DEM, senador José Agripino (RN).
A intensão dos governistas é a de preservá-lo. Sarney, porém, pode ser alvo do inquérito político.
– Em princípio, qualquer patrocínio da Petrobras pode ser investigado – concluiu Romero Jucá.