Eles não exatamente se beijaram e fizeram as pazes sob as palmeiras, mas a reunião deste ano do Grupo dos Oito, em um resort norte-americano, conseguiu amenizar em parte o racha entre Europa e Estados Unidos por causa da guerra ao Iraque.
Ficaram para trás os gelados apertos de mão do encontro na França do ano passado, substituídos na reunião deste ano por sorrisos calorosos e tapinhas nas costas.
Em vez de falar sobre a invasão liderada pelos EUA ao Iraque, os líderes das maiores potências do mundo olharam para frente, apoiando uma resolução das Nações Unidas sobre o futuro do Iraque e endossando um plano dos EUA para promover reformas no Oriente Médio.
"A reunião em Sea Island cristalizou uma tendência dos últimos dois meses durante os quais os governos europeus e norte-americano se aproximaram cada vez mais em torno de uma série de objetivos em comum", disse uma autoridade do governo dos EUA que pediu anonimato.
Entretanto, o sol em Sea Island não chegou a eliminar todas as nuvens. Divisões importantes permanecem - divisões que devem continuar enquanto permanecerem em seus postos os presidentes George W. Bush e Jacques Chirac.
Nas reuniões, a França se opôs aos esforços anglo-americanos para dar à Otan um papel no Iraque e, junto com a Alemanha e a Rússia, recusou mais uma vez apoiar a idéia de enviar soldados para ajudar na tumultuada transição do país árabe rumo à estabilidade.
Paris e Moscou também se recusaram a assinar uma proposta para perdoar 80 por cento da dívida do Iraque, que Washington garante ser vital para o país se recuperar de anos de guerras e sanções. A França sugeriu apenas um corte de 50%.
"Abaixo da superfície, eu não detecto um grande progresso nas questões centrais, que continuam a dividir os Estados Unidos e a Europa", disse Charles Kupchan, um especialista em relações internacionais da Georgetown University em Washington.
Mas esperar harmonia em todas as questões, poucos meses depois do racha nas relações por causa do Iraque, é talvez irrealista. E as faces sorridentes em Sea Island sugerem que os aliados ao menos concordaram em discordar de uma maneira mais civilizada.
"O que ambos aprendemos desse conflito foi que amigos podem ter opiniões diferentes sobre questões importantes sem que isso seja uma problema para uma parceria a longo prazo", disse a jornalistas o chanceler alemão Gerhard Schroeder. "Eu estou muito contente com o modo como as coisas se resolveram."
Autoridades norte-americanas e européias disseram que todos os líderes perceberam que apesar dos desgostos no passado, ninguém sairia ganhando se continuassem as disputas pelo Iraque e que era interesse de todos garantir paz na região.