Ao final da cúpula do G8 - sete países mais industrializados mais a Rússia - em Heiligendamm, na Alemanha, a chanceler alemã, Angela Merkel, celebrou os acordos firmados e afirmou nesta sexta-feira que o único tema sobre o qual não foi alcançado um consenso entre o bloco é a questão da independência de Kosovo. Acordos sobre medidas para conter o aquecimento global e negociações para aplacar a tensão entre Estados Unidos e Rússia foram considerados bem-sucedidos na cúpula, que fecha hoje após três dias de reuniões.
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, lamentou nesta sexta-feira que não tenha sido alcançado nenhum progresso a respeito de Kosovo. Sarkozy tentou sem sucesso convencer a Rússia, que é contrária ao plano da ONU de oferecer uma independência tutelada à Província, a reconhecer que a separação entre Kosovo e a Sérvia é "inevitável". Uma proposta de adiar por seis meses a votação sobre o tema no Conselho de Segurança da ONU também foi rechaçada pelo Kremlin.
O plano ocidental para a Província de maioria albanesa poderia abrir o caminho para a independência total no futuro, o que é rejeitado pela Rússia, que se aliou à Sérvia para impedir a aprovação da proposta.
O presidente russo, Vladimir Putin, deixou recentemente patente sua postura ao negar que o caso do Kosovo seja diferente dos de outras regiões com movimentos separatistas, como a Abkházia, a Ossétia do Sul, a Transnístria e o País Basco. "Não entendemos por que teríamos que apoiar uma série de princípios em uma parte da Europa e outra em outras regiões do continente", disse Putin.
África
Antes de encerrar a reunião na Alemanha, os países do G8 renovaram o compromisso de destinar US$ 60 bilhões em ajuda à África, especialmente em sua luta contra doenças como a Aids e a malária.
"Nós cumpriremos nossas promessas, mas também esperamos que se possa controlar o que os países africanos farão com o dinheiro", afirmou Merkel, que falou à imprensa hoje ao lado do presidente de Gana e da União Africana, John A. Kufour.
Merkel enfatizou que a ajuda será condicionada às provas de boa governança dos países receptores. "Sem um bom governo, todas as outras reformas terão impacto limitado", afirmou um comunicado emitido pelo G8 sobre a África.
O compromisso irritou membros de organizações humanitárias que acompanhavam as evoluções da cúpula. De acordo com os críticos, a soma de US$ 60 bilhões acordada não cumpre um acordo anterior, firmado em 2005 na Escócia, que previa dobrar a ajuda humanitária à África.
"Estou exasperado", disse o ativista e músico Bono Vox. "Acho que usaram deliberadamente uma linguagem imprecisa. Estão deliberadamente nos enganando", completou ele.
O acordo da cúpula não especifica datas para a liberação do montante e diz apenas que o dinheiro será enviado "durante os próximos anos".
O presidente dos EUA, George W. Bush, não compareceu a algumas sessões da cúpula sobre a África devido a um mal-estar estomacal na manhã de hoje, segundo seus assessores. Ele já se recuperou e foi a outras reuniões.
Clima
O acordo firmado ontem sobre medidas para deter o avanço das mudanças climáticas foi considerado um "grande êxito" por Merkel e outros líderes do G8, como Sarkozy e o premiê britânico, Tony Blair.
Apesar disso da oratória, na prática o acordo não fixou a obrigatoriedade de redução pela metade das emissões de gases do efeito estufa até 2050, como pretendia Merkel. Sob pressão dos EUA, o texto do acordo diz apenas que os países "considerarão seriamente" estes valores de redução.
O conselheiro de segurança nacional americano Stephen Hadley afirmou hoje que o acordo não traz nenhum limite de cumprimento obrigatório. Para ele, há diferentes propostas de "objetivos a longo prazo" que são desejáveis, mas o G8 "não escolheu uma meta" entre essas propostas.
Ainda assim, o acordo traz avanços. O texto mostra