Os ministros de Relações Exteriores do G4, formado por Alemanha, Brasil, Índia e Japão, reúnem-se neste domingo em Nova York com os da União Africana (UA) para debater a ampliação do Conselho de Segurança (CS) da ONU.
A reunião, convocada pelos países do G4, que querem um assento permanente no Conselho, faz parte da ofensiva diplomática para buscar o apoio da UA a seu projeto de resolução de ampliação deste órgão executivo da ONU.
Para isso, os ministros do G4 se reunirão hoje com o presidente da Assembléia Geral, o gabonês Jean Ping, e depois com os chefes da diplomacia de alguns países africanos, entre eles a Nigéria, que atualmente preside a UA.
O G4 apresentou oficialmente sua proposta de resolução de reforma do CS à Assembléia Geral em 6 de julho, com a intenção de submetê-la a votação no próximo dia 20, mas ainda não conta com um apoio suficiente para que possa ser adotada.
Esta proposta é ameaçada pelo Grupo da África, que conta com 53 votos na Assembléia, cruciais para obter a maioria, e que decidiu apresentar oficialmente na quarta-feira passada seu próprio projeto de resolução, que começará a ser debatido amanhã.
Apesar de as duas propostas de resolução serem muito similares, existem diferenças quanto à representação do Grupo da África da ONU e o direito a veto para os novos membros permanentes.
O G4 propõe uma ampliação a 25 membros, com seis novos membros permanentes que não teriam direito a veto imediato e quatro não permanentes - desta forma Alemanha, Brasil, Índia e Japão obteriam um assento permanente, da mesma forma que dois países africanos.
No entanto, na categoria de não permanentes, a África só obteria um posto.
No documento africano a ampliação do CS para 26 membros é contemplada, com seis membros permanentes com direito a veto e cinco não permanentes, com dois assentos para a África em ambas as categorias.
O ministro de Assuntos Exteriores da Nigéria, Olumeyi Adeniji, disse que a UA está aberta a negociações, e deu a entender que pode renunciar ao direito a veto, mas não a obter um assento que não seja permanente.
O Conselho de Segurança é atualmente formado por 15 membros, dos quais cinco são permanentes e com direito a veto (China, EUA, França, Grã-Bretanha e Rússia) e dez não são permanentes, com mandatos de dois anos.
Para que qualquer resolução seja adotada pela Assembléia são necessários dois terços dos votos dos 191 membros, ou seja 128.
EUA, China e Rússia expressaram publicamente sua contrariedade à votação de qualquer resolução sobre a ampliação do Conselho por considerarem que ainda é muito cedo para isso.