No encerramento do encontro do G20, grupo que reúne representantes dos países ricos e dos emergentes, nesta quinta-feira, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown confirmou que o Fundo Monetário Internacional receberá US$ 1 trilhão para ajudar países com problemas decorrentes da crise econômica global. Controle de bancos, paraísos fiscais e bônus também foram determinados pelo grupo.
– O G20 alcançou novo consenso de que se tem de agir conjuntamente. Problemas globais requerem soluções globais – disse Brown em entrevista coletiva após seu pronunciamento.
Um fonte do G20 acrescentou que o comunicado também diz que o FMI pode recorrer ao mercado para levantar dinheiro se for necessário. O documento também inclui a luta contra os paraísos fiscais, além de que as diversas versões do documento que circularam concordam em que também haverá uma regulação mais estrita do funcionamento dos bancos e das gratificações recebidas pelos diretores das instituições.
Outro ponto abordado por Brown foi a necessidade de "trabalhar urgentemente com os líderes" mundiais para fazer avançar a Rodada Doha de liberalização comercial, no âmbito da OMC (Organização Mundial do Comércio). Segundo ele, para expandir o comércio global, serão destinados fundos de US$ 250 bilhões aos países para financiamento. Fontes oficiais do governo britânico também confirmaram que a reunião serviu para cristalizar o consenso de "pelo menos duplicar" os recursos dos quais o FMI disporá para ajudar os países emergentes, responsáveis por 70% do crescimento mundial.
Quanto aos paraísos fiscais, o G20 se dispõe a definir sanções para os países que não assinarem as normas de transparência da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) destinadas ao combate à lavagem de dinheiro e à evasão fiscal, mas está por determinar se haverá uma lista de países que não cumprem a norma. O secretário de Estado do Tesouro britânico, Stephen Timms, disse à imprensa que, durante a primeira sessão plenária, houve um debate sobre a publicação dessa lista.
– Espero sanções para os que não aderirem às novas normas e, em seu devido tempo, haverá uma lista. Todos estão de acordo em que é preciso manter a pressão sobre os paraísos fiscais – disse Timms durante coletiva no centro de conferências onde acontece a Cúpula do G20. "A era do sigilo bancário terminou", completou o secretário, que tem status de ministro.
A recuperação do comércio internacional também receberá um forte impulso na cúpula em Londres, com a aprovação de um pacote de cerca de US$ 250 bilhões, segundo antecipou o ministro das Finanças britânico, Alistair Darling. A minuta do documento não define os novos estímulos fiscais para impulsionar a economia, como propunham Washington e Londres, opção que tinha a rejeição de França e Alemanha.
Esse capítulo ficará com uma referência geral a "fazer tudo o que for necessário", na linha da reunião preparatória realizada em 14 de março pelos ministros de Economia e Finanças do G20, para que cada país decida quais são as melhores medidas para dar um alívio em para suas economias. A declaração final, segundo algumas versões, incluirá uma referência a que já foram investidos US$ 2 trilhões por parte dos diversos países para enfrentar a recessão.
Inovadora pode ser a iniciativa para apontar publicamente os países que adotarem práticas protecionistas.
Fórum independente
Os chefes de Estado e de governo também debateram a possibilidade de a Organização Mundial do Comércio (OMC) exercer posição mais decisiva no cenário mundial e se transformar em tipo de fórum independente internacional que controle eventuais medidas protecionistas.
– A OMC tem que ter maior papel para que, se ocorrer algo neste sentido (políticas protecionistas), haja um fórum independente onde seja possível adotar medidas – disse à agência inglesa de notícias BBC o ministro das Finanças britânico, Alistair Darling.
O ministro também espera que os chefes de Estado e de governo do G20 alcancem um compromisso no qual "se considere de maneira muito séria que, quando forem adotadas medidas para proteger as economias, é preciso se ater às consequências".
– Todos os países estão conscientes de que, se repetirmos os erros dos anos 30, quando foram colocadas barreiras ao comércio, a recessão durará anos. Não podemos permitir que isso volte a acontecer. Temos que estar preparados para passar à ação onde vejamos que há protecionismo – acrescentou o ministro britânico.
Sobre a regulação do sistema financeiro, disse que há um amplo consenso de que "o sistema de regulação e de supervisão deve ser mais amplo, incluindo os hedge funds e as agências de classificação de risco", e em que as normas de controle "precisam ser mais estreitas e ter caráter mais intrusivo".
Produção mundial
Brown, em seu discurso, salientou que medidas coordenadas adotadas pelos membros do G20 elevarão a produção mundial em 4% até o fim do ano que vem. O comunicado final da cúpula confirmou a previsão.
"Nós estamos empreendendo uma expansão fiscal coordenada e sem precedentes, que salvará ou criará milhões de empregos que de outra maneira seriam destruídos, e isso somará, até o final do próximo ano, US$ 5 trilhões, aumentará a produção mundial em até 4% e acelerará a transição para uma economia verde. Nós estamos comprometidos a fornecer o esforço fiscal em escala necessária para restaurar o crescimento", disse o comunicado.
O comunicado disse ainda que os bancos centrais do G20 se comprometeram a manter políticas de expansão econômica enquanto for necessário e usar de todas as ferramentas e políticas disponíveis para tanto.