O Grupo dos Oito (G8), reunido em Gleaneagles, Escócia, chegou a um acordo na quinta-feira sobre a necessidade de se adotar uma ação urgente no combate ao aquecimento global, mas não fixou metas, disse um importante negociador da Alemanha.
Um esboço com a data de quinta-feira, visto pela Reuters, reconhecia que a atividade humana era um fator importante na alteração climática do planeta. O texto também dizia que havia necessidade de se reduzir a emissão de gases associados ao efeito estufa.
Mas o documento fazia apenas uma referência superficial ao Protocolo de Kyoto, que prevê cortes obrigatórios na emissão de gases. O tratado foi assinado por sete das oito potências do G8, mas é classificado como um suicídio econômico pelo presidente dos EUA, George W. Bush.
A França deixou claro que o texto acertado na cúpula era apenas suficiente.
- Mesmo que ele não vá tão longe quando gostaríamos, contém, na minha opinião, uma virtude -- ele restabelece o diálogo e a cooperação entre os sete de Kyoto e os EUA em uma questão de suma importância - disse Jacques Chirac, presidente francês.
ACORDO FORMAL ADIADO
As bombas que atingiram na quinta-feira o sistema de transporte público de Londres, na Grã-Bretanha, forçaram o adiamento da assinatura formal do acordo pelos chefes de Estado presentes na cúpula.
Mas o negociador alemão Bernd Pfaffenbach disse a repórteres:
- O documento foi acatado e podem ter certeza de que não haverá mais mudanças.
O texto visto pela Reuters não continha parênteses, usados normalmente para indicar os trechos ainda sob discussão, e se parecia com o documento final citado por Pfaffenbach.
Esse esboço dá alguns passos rumo a exigências feitas pelos signatários de Kyoto, liderados pela França. Esses países queriam que o texto corroborasse a afirmativa de que as atividades humanas são um fator importante do aquecimento global, conforme defende grande parte da comunidade científica, e que o problema precisa ser enfrentado. O governo Bush contestou até recentemente essa teoria.
- Apesar de haver incertezas na compreensão da ciência climática, sabemos o suficiente para agir agora a fim de brecar, impedir e reverter o processo de aumento da emissão dos gases associados ao efeito estufa - afirmou o documento.
"DETERMINAÇÃO E URGÊNCIA"
No texto, os países signatários se comprometeram a "agir com determinação e urgência" a fim de atingir metas comuns que incluiriam o corte na emissão de gases associados ao efeito estufa.
Nenhuma meta, porém, é citada.
O documento também informava que a Organização das Nações Unidas (ONU) era o local adequado para negociar um futuro regime multilateral para lidar com a questão do clima.
Os ambientalistas, porém, criticaram o texto que não assume compromisso com qualquer meta de redução.
- O presidente Bush está isolado em relação aos outros 12 países que enfatizaram a necessidade de fixar metas duras para reduzir as emissões do gás carbônico (o principal dos gases do efeito estufa) - disse o diretor do grupo Greenpeace, Stephen Tindale.
Também participaram de parte da cúpula, como convidados, Brasil, África do Sul, China, México e Índia. Em discurso durante a reunião do G8, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reforçou a importância do diálogo e da cooperação entre as nações. "Venho à Escócia com o sentimento de que se consolida um novo paradigma de diálogo e cooperação entre os países ricos e o mundo em desenvolvimento", disse Lula. "Nossa ação coletiva é imprescindível para alcançarmos as Metas do Milênio."
O texto também afirmou que é do interesse de todos trabalhar junto com as grandes economias emergentes -- uma referência em especial à China e à Índia, que devem aumentar bastante sua produção de gases associados ao efeito estufa nos próximos anos.
O G8 prometeu, no texto, esforçar-se para desenvolver formas mais lim