Rio de Janeiro, 18 de Maio de 2026

G-8 concorda em agir contra aquecimento, mas sem fixar metas

O Grupo dos Oito (G8), reunido em Gleaneagles, Escócia, chegou a um acordo na quinta-feira sobre a necessidade de se adotar uma ação urgente no combate ao aquecimento global, mas não fixou metas, disse um importante negociador da Alemanha. (Leia Mais)

Quinta, 07 de Julho de 2005 às 19:24, por: CdB

O Grupo dos Oito (G8), reunido em Gleaneagles, Escócia, chegou a um acordo na quinta-feira sobre a necessidade de se adotar uma ação urgente no combate ao aquecimento global, mas não fixou metas, disse um importante negociador da Alemanha.

Um esboço com a data de quinta-feira, visto pela Reuters, reconhecia que a atividade humana era um fator importante na alteração climática do planeta. O texto também dizia que havia necessidade de se reduzir a emissão de gases associados ao efeito estufa.

Mas o documento fazia apenas uma referência superficial ao Protocolo de Kyoto, que prevê cortes obrigatórios na emissão de gases. O tratado foi assinado por sete das oito potências do G8, mas é classificado como um suicídio econômico pelo presidente dos EUA, George W. Bush.

A França deixou claro que o texto acertado na cúpula era apenas suficiente.

- Mesmo que ele não vá tão longe quando gostaríamos, contém, na minha opinião, uma virtude -- ele restabelece o diálogo e a cooperação entre os sete de Kyoto e os EUA em uma questão de suma importância - disse Jacques Chirac, presidente francês.

ACORDO FORMAL ADIADO

As bombas que atingiram na quinta-feira o sistema de transporte público de Londres, na Grã-Bretanha, forçaram o adiamento da assinatura formal do acordo pelos chefes de Estado presentes na cúpula.

Mas o negociador alemão Bernd Pfaffenbach disse a repórteres:

- O documento foi acatado e podem ter certeza de que não haverá mais mudanças.

O texto visto pela Reuters não continha parênteses, usados normalmente para indicar os trechos ainda sob discussão, e se parecia com o documento final citado por Pfaffenbach.

Esse esboço dá alguns passos rumo a exigências feitas pelos signatários de Kyoto, liderados pela França. Esses países queriam que o texto corroborasse a afirmativa de que as atividades humanas são um fator importante do aquecimento global, conforme defende grande parte da comunidade científica, e que o problema precisa ser enfrentado. O governo Bush contestou até recentemente essa teoria.

- Apesar de haver incertezas na compreensão da ciência climática, sabemos o suficiente para agir agora a fim de brecar, impedir e reverter o processo de aumento da emissão dos gases associados ao efeito estufa - afirmou o documento.

"DETERMINAÇÃO E URGÊNCIA"

No texto, os países signatários se comprometeram a "agir com determinação e urgência" a fim de atingir metas comuns que incluiriam o corte na emissão de gases associados ao efeito estufa.

Nenhuma meta, porém, é citada.

O documento também informava que a Organização das Nações Unidas (ONU) era o local adequado para negociar um futuro regime multilateral para lidar com a questão do clima.
Os ambientalistas, porém, criticaram o texto que não assume compromisso com qualquer meta de redução.

- O presidente Bush está isolado em relação aos outros 12 países que enfatizaram a necessidade de fixar metas duras para reduzir as emissões do gás carbônico (o principal dos gases do efeito estufa) - disse o diretor do grupo Greenpeace, Stephen Tindale.

Também participaram de parte da cúpula, como convidados, Brasil, África do Sul, China, México e Índia. Em discurso durante a reunião do G8, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reforçou a importância do diálogo e da cooperação entre as nações. "Venho à Escócia com o sentimento de que se consolida um novo paradigma de diálogo e cooperação entre os países ricos e o mundo em desenvolvimento", disse Lula. "Nossa ação coletiva é imprescindível para alcançarmos as Metas do Milênio."

O texto também afirmou que é do interesse de todos trabalhar junto com as grandes economias emergentes -- uma referência em especial à China e à Índia, que devem aumentar bastante sua produção de gases associados ao efeito estufa nos próximos anos.

O G8 prometeu, no texto, esforçar-se para desenvolver formas mais lim

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