Rio de Janeiro, 05 de Setembro de 2026

Futebol nordestino pode sofrer golpe no próximo domingo

Terça, 09 de Dezembro de 2003 às 23:03, por: CdB

No próximo domingo, o futebol nordestino corre sério risco de sofrer mais um golpe em uma temporada tenebrosa para ele.

Bahia e Fortaleza, na rodada derradeira do Brasileiro-03, estão entre os times mais ameaçados de rebaixamento. O time de Salvador, entre as seis equipes que correm risco, é a única que não depende de si para escapar. Já os cearenses são os únicos que irão decidir fora de casa - contra a Ponte Preta, em Campinas.

Se os dois fracassarem na primeira oportunidade em que o Brasileiro é disputado em dois turnos e pontos corridos, a região que mais gente leva aos estádios nos Nacionais terá apenas um representante (o Vitória) na elite em 2004. Nunca antes o Nordeste teve menos de dois representantes na primeira divisão.

Mas o desastre nordestino não está restrito ao campeonato mais importante do país. Na Série B, nenhum dos seis times da região conseguiu o acesso. E na terceira divisão os paraibanos Botafogo e Campinense estiveram no quadrangular decisivo, mas acabaram superados pelos paulistas Ituano e Santo André.

Para Jorge Alberto Carvalho Mota, presidente do Fortaleza, a falta de bons resultados de seu clube e do futebol nordestino acontece pelos mesmos motivos que levam a região a ser a menos desenvolvida do país.

- A situação dos clubes do Nordeste é resultado da nossa falta de capacidade para reagir diante de uma série de fatores. O principal deles é a discriminação. No Brasil, em todas as áreas o Nordeste é discriminado, o nordestino é o comedor de farinha, o cabeça-chata - disse o cartola, apontando os efeitos dessa 'discriminação'.

- Temos cotas menores na divisão do dinheiro da TV, mesmo com grandes torcidas, e as falhas de arbitragem são sempre contra os nossos times. Os patrocinadores também pagam menos para os clubes nordestinos. Nós só temos a nossa torcida para confiar. Como nem os grandes conseguem sobreviver de bilheteria, só as boas arrecadações não resolvem - reclama Mota.

Marcelo Guimarães, presidente do também ameaçado Bahia, tem queixas bastante parecidas.
 
- Há discriminação por parte da arbitragem. Pedi várias vezes, por meio da federação, para que colocassem juízes da Fifa nos nossos últimos jogos, mas isso não aconteceu e fomos prejudicados. Foi assim o campeonato inteiro, mas reconheço que começamos mal a competição - analisa o dirigente, que prevê um futuro sombrio para o futebol da sua região.

- Do jeito que as coisas estão, em pouco tempo não teremos nenhum clube do Nordeste na primeira divisão - disse Guimarães.

Para mudar a situação atual, muitos clubes nordestinos pedem a volta do Campeonato do Nordeste, que foi enterrado para a disputa do Brasileiro de pontos corridos.

- A nossa saída é voltar a disputar a Liga do Nordeste, que é rentável. Mesmo com um bom público, o Bahia vai ter um prejuízo de R$ 2 milhões no Brasileiro - constata o presidente do Bahia.

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