Os trabalhadores da Varig serão os únicos a perder dinheiro na nova empresa que surgir a partir da fusão com a TAM. Segundo o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), o modelo de fusão elaborado pelo banco Fator exclui os créditos trabalhistas e previdenciários da participação acionária na empresa que for criada a partir da fusão Varig-TAM. - Todos os credores serão acionistas da nova empresa. Só os trabalhadores ficarão de fora. Os credores nacionais, como as estatais, e os internacionais, como a Boeing, serão acionistas da nova companhia. Sós os funcionários ficarão de fora - disse Albuquerque, que integra a comissão de Transporte da Câmara dos Deputados que acompanha o processo de fusão. Albuquerque afirmou que já alertou o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e o Ministério da Defesa para o calote que será dado nos trabalhadores da Varig. - Existem quase 20 mil funcionários que serão prejudicados com essa exclusão feita no acerto de pendências entre credores. É preciso entender que os funcionários são tão credores da Varig como a BR Distribuidora, Banco do Brasil, Infraero e Boeing - afirmou. Pelos seus cálculos, a companhia deve R$ 2 bilhões em créditos trabalhistas e previdenciários - referente a retiradas indevidas feitas do fundo de pensão Aerus -, para os funcionários de todas as empresas do grupo: Varig, Nordeste, Rio Sul, VEM (Varig Engenharia e Manutenção), Sata (Serviços de Terra nos Aeroportos), VarigLog (transporte de cargas), Amadeus (reservas), Varig Travel (operadora de turismo) e rede Tropical de Hotéis. Modelo de fusão Albuquerque diz que teve acesso à modelagem de fusão elaborada pelo Fator. Pela proposta, segundo ele, a Varig teria 5% de participação na nova companhia aérea contra 35% da TAM. Os 60% restantes seriam distribuídos entre os demais credores nacionais e internacionais, com exceção dos funcionários. - A proposta toda é prejudicial à Varig. Primeiro não é fusão, é a criação de uma nova empresa, onde a Varig será engolida pela TAM. A TAM, que é muito mais nova que a Varig será majoritária numa companhia que deterá 70% do mercado aéreo - disse o deputado. A Varig tem 76 anos de operação no mercado aéreo. A TAM, fundada em 12 de julho de 1976, completará 27 anos de mercado. O porta-voz do Fator e da Varig-TAM para assuntos de fusão, Roberto Müller, negou que a modelagem da operação já tenha definido percentuais de participação acionária na nova empresa aérea. - Já disse que só está definida a participação da Varig. Não comentarei de novo esse assunto. Segundo ele, o formato final do contrato de fusão - que conterá a participação acionária de cada credor - será revelado somente depois de sua assinatura, prevista para os próximos dias. - O contrato está sendo ultimado e seu conteúdo será revelado quando estiver tudo pronto.
Fusão permitirá calote de R$ 2 bi em trabalhadores da Varig, diz deputado
Quinta, 05 de Junho de 2003 às 13:30, por: CdB