Rio de Janeiro, 30 de Abril de 2026

Furlan reprova política cambial e prevê queda nas exportações

Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Luiz Fernando Furlan, em visita ao Rio, afirmou que a taxa de câmbio em prática no país é um fator que inibe a manutenção dos bons resultados apresentados pela balança comercial do país ao longo deste ano. Furlan diz não haver uma "palavra de conforto" para os exportadores, durante discurso no 25 Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex), na manhã desta quinta-feira. (Leia Mais)

Quinta, 24 de Novembro de 2005 às 10:56, por: CdB

Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Luiz Fernando Furlan, em visita ao Rio, afirmou que a taxa de câmbio em prática no país é um fator que inibe a manutenção dos bons resultados apresentados pela balança comercial do país ao longo deste ano. Furlan diz não haver uma "palavra de conforto" para os exportadores, durante discurso no 25 Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex), na manhã desta quinta-feira. Segundo o ministro, também não consegue enxergar "concretamente" qual será o cenário para as exportações do país no próximo ano, devido à queda do dólar.

Furlan também afirmou que a política de câmbio do Banco Central, de compra de dólares no mercado, deve-se à recomposição das reservas internacionais e não foi capaz de promover um controle eficiente da relação entre o real e a moeda norte-americana.

- Nas duas vezes que o Banco Central fez um grande esforço de compra de reservas, no ano passado com cerca de US$ 10 bilhões e nesse ano com mais de US$ 5 bilhões, acabou não tendo influência concreta sobre a trajetória da taxa de câmbio - afirmou.

O ministro, geralmente defende a desvalorização do real como forma de aumentar a competitividade das exportações brasileiras, mas ultimamente tem preferido conter seus comentários sobre o desempenho da equipe econômica, principalmente após as críticas da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci.

Para Furlan, há uma "situação quase irreversível de excesso de oferta" e o saldo de exportações, atualmente na ordem de US$ 40 bilhões este ano, será provavelmente menor no ano que vem, embora superior a US$ 30 bilhões.

- A nossa preocupação é que já existem empresas e setores que estão perdendo o ânimo, embora os números da exportação e da balança comercial continuem ainda positivos - disse.

O setor calçadista, segundo o ministro, é um dos mais afetados, com perdas de cerca de 4 milhões de pares em outubro, devido à taxa de câmbio. Mesmo que o valor exportado aumente em reais, haverá queda da produção física, destaca o ministro.

Em razão deste cenário, Furlan afirmou que preferiu manter a meta de exportações de US$ 120 bilhões em 2006, apesar de representar um patamar próximo ao da meta deste ano, de US$ 117 bilhões. "Não consegui enxergar concretamente o que pode acontecer no ano que vem", afirmou. O ministro descarta uma queda nas exportações no próximo ano, mas afirma que ocorrerá uma perda no ritmo de crescimento.

- É um risco que estamos correndo de ter um crescimento módico do comércio exterior brasileiro no ano que vem e talvez perder uma oportunidade de manter um ritmo quente na exportação brasileira - concluiu.

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