Rio de Janeiro, 31 de Janeiro de 2026

Furacão 2: polícia investiga infiltração na Câmara e na Alerj

Quinta, 21 de Junho de 2007 às 07:19, por: CdB

Agentes da Polícia Federal envolvidos na Operação Furacão 2, que nas últimas 36 horas prendeu mais de 30 pessoas só no Rio de Janeiro, acreditam que um braço do esquema de propina chegou também à Câmara de Vereadores e à Assembléia Legislativa do Rio- Alerj - onde o principal articulador seria um policial de nome Miguel Laino, que até março trabalhava no gabinete do presidente da Casa, Jorge Pacciani. Na Câmara dos Vereadoras a ligação seria feita por José Renato Barbosa de Medeiros, filho do falecido apresentador de televisão Abelardo "Chacrinha" Barbosa.    

Miguel Laino foi afastado de suas funções desde que seu envolvimento no esquema foi conhecido e José Renato, que á paraplégico, está cumprindo prisão domiciliar. Os dois serão ouvidos em breve.

Entre os foragidos está Luciano Andrade do Nascimento, o Bola, principal tesoureiro do esquema de corrupção montado pela máfia do jogo no Rio, mas a Justiça Federal já decretou a prisão preventiva dos mais de 30 investigados pela segunda fase da Operação Furacão, depois de terem sido detidas pela Polícia Federal.

As denúncias da segunda etapa da operação apontam para o envolvimento de policiais civis, um delegado e um agente da Polícia Federal, contraventores e pessoas relacionadas ao jogo de bingo e de acordo com o procurador Orlando Cunha, as atividades de exploração do jogo ilegal eram facilitadas pelos policiais.

- Essa segunda fase pegou o núcleo dos policiais civis que atuavam em benefício da quadrilha e que foram descobertos com as primeiras denúncias. A participação deles permitia que as atividades ilegais continuassem. Eles não ofereciam o menor obstáculo para os jogos e ainda vazavam informações, o que permitia que os integrantes da quadrilha se protegessem - disse.

O procurador Orlando Cunha informou ainda que os policiais vão responder por crime de corrupção passiva e os demais, por corrupção ativa.

O procuradores do Ministério Público Federal do Rio, Orlando Cunha e Marcelo Freire, revelaram que a partir da segunda fase da Operação Furacão, o objetivo do MPF será desarticular o esquema de lavagem de dinheiro da quadrilha.

- É uma organização muito complexa que é dividida em hierarquias. O principal articulador junto a esse segmento era o policial Marcos Bretas, que seria uma espécie de porta-voz dos interesses da cúpula da organização e a partir daí ele tinha uma equipe de trabalho que se dividia para efetuar os trabalho de pagamento mensal e rotineiro aos agentes públicos. Esse esquema seria estendido e adotado pela Máfia en todos os Estados num futuro próximo - afirmou o procurador Marcelo Freire.

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