Milhares de pessoas participaram de uma procissão em Beirute, nesta sexta-feira, seguindo o caixão de um político anti-Síria morto nesta semana.
O assassinato de George Hawi, um ex-líder do Partido Comunista do Líbano, intensificou os apelos para que o presidente do país, Emile Lahoud, um aliado dos sírios, renuncie.
Cerca de 10 mil pessoas participaram da procissão fúnebre, atrás do corpo de Hawi, morto na terça-feira em um atentado a bomba.
O político, que também foi líder da resistência nacional contra a invasão israelense de 1982, é o segundo ativista anti-Síria importante a ser morto no Líbano neste mês. O colunista de jornal Samir Kassir foi assassinado no dia 2 de junho, em um atentado semelhante.
Músicas nacionalistas e discursos deixados por Hawi eram divulgados por alto-falantes enquanto a multidão, com bandeiras do Líbano e bandeiras do Partido Comunista, caminhava silenciosamente atrás do caixão, até uma igreja na região central de Beirute.
Apenas coros esporádicos de "comunista, comunista" puderam ser ouvidos.
- O Líbano é como uma árvore sempre verde - afirmou o comunista Salman Ballout, 55, que participava do cortejo.
- George Hawi e outros morreram, mas uma nova geração nasceu para continuar propagando a mensagem deles.
Uma coalizão de grupos anti-Síria que conquistou o controle do Parlamento nas eleições gerais realizadas neste mês acusou Lahoud, na quinta-feira, de ser o responsável pelos assassinatos de políticos e pediu a renúncia dele.
As mortes de Hawi e Kassir acontecem depois do assassinato, em 14 de fevereiro, do primeiro-ministro Rafik Al Hariri. O atentado detonou grandes manifestações de rua e intensificou a pressão da comunidade internacional para que a Síria se retirasse do Líbano, o que acabou acontecendo em abril.
Lahoud condenou os assassinatos e afirmou que continuará no cargo até o final do mandato dele. No ano passado, o Parlamento libanês, sob pressão da Síria, aprovou a prorrogação do mandato dele.