Rio de Janeiro, 16 de Maio de 2026

Fundos de pensão na lista dos escândalos

A pressão exercida por integrantes do PT para a renúncia de George Eduardo Walckiers, presidente afastado do Conselho Deliberativo da Fundação de Previdência e Assistência Social Real Grandeza, fundo de pensão dos funcionários de Furnas Centrais Elétricas S/A ganha um novo capítulo na disputa jurídica pela gestão do patrimônio de R$ 4,8 bilhões, após a denúncia do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) da existência de um mensalão na Câmara dos Deputados. (Leia Mais)

Sexta, 22 de Julho de 2005 às 08:39, por: CdB

A pressão exercida por integrantes do PT para a renúncia de George Eduardo Walckiers, presidente afastado do Conselho Deliberativo da Fundação de Previdência e Assistência Social Real Grandeza (FRM), fundo de pensão dos funcionários de Furnas Centrais Elétricas S/A ganha um novo capítulo na disputa jurídica pela gestão do patrimônio de R$ 4,8 bilhões, após a denúncia do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) da existência de um mensalão na Câmara dos Deputados.

A realização de operações de risco passou a ser, novamente, alvo de investigações na Polícia Federal, que passa a levantar as operações financeiras realizadas com as distribuidoras de títulos e valores Turfa, Quantia, CQJR e Flowting, acusadas em processos abertos na PF por lavagem de dinheiro. Embora a FRM tenha negado qualquer relacionamento com estas empresas, levantamento interno aponta a existência de negócios entre elas.

Os fundos de pensão, aliás, entraram definitivamente na alça de mira da Polícia Federal após a descoberta de uma outra pedra no caminho do PT. Denúncia publicada na edição desta sexta-feira no diário Correio Brasiliense, revela uma operação financeira com títulos públicos e ações realizada por dirigentes do Portus, um dos menores fundos de pensão do país, e chama a atenção das autoridades. Em julho do ano passado, somente uma operação no valor total de R$ 15 milhões pode ter rendido cerca de R$ 6 milhões às campanhas de prefeitos e vereadores do Partido dos Trabalhadores (PT) e do Partido Liberal (PL), que indicaram os executivos do instituto de aposentadoria dos portuários.

O Portus vendeu ao Prece, o fundo de pensão dos dos funcionários da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), a preço de mercado, um lote de ações da Energisa - holding proprietária da Energipe - em troca de títulos do tipo CVS-B, operação considerada vantajosa para o vendedor pois as ações da Energisa são consideradas "micos" (difíceis de vender e com baixa rentabilidade) no mercado financeiro. O CVS-B também não pode ser considerado uma boa opção, pois rende apenas a inflação mais 3% ao ano e de baixa liquidez. Ainda assim, o Portus pagou por eles o ágio de 0,29%.

A ânsia de comprar o papel chamou a atenção dos operadores mais experimentados. Há apenas uma semana antes da operação acontecer, o CVS-B era negociado com deságio de 41% e, desde o seu lançamento, o deságio ficou na ordem de 40% sobre o valor de face. Traduzindo: o Portus pagou R$ 15,5 milhões por um papel que valia apenas R$ 9 milhões. Os R$ 6,5 milhões foram utilizados para o pagamento de taxas de corretagem aos representantes dos compradores e vendedores e para proporcionar um lucro saboroso ao antigo dono dos CVS-B.

Segundo a reportagem do Correio Brasileiense, "esse dinheiro, subtraído do patrimônio do Portus, foi parar em campanhas eleitorais do PT". Dois sindicalistas, apontados na matéria assinada pelo jornalista Ugo Braga como autores da denúncia, pediram para não ser identificados "com medo de morrer".

A transação não foi bem-vista sequer pela bancada do PL. O deputado Reinaldo Pereira Pinto, o Betão, como é conhecido, enviou ofício ao Portus no qual pedia explicações para a operação. Estranhamente, no entanto, ele se contentou com a resposta, assinada por Márcio Campos da Silva, presidente (indicado pelo ex-assessor da Casa Civil Marcelo Sereno, na cota do PSB),
Luiz Carlos Prado, diretor financeiro [indicado pelo deputado José Dirceu (PT-SP)] e por Paulo Albino Soares, diretor-administrativo [indicado pelo deputado Carlos Rodrigues (PL-RJ)]. Segundo eles afirmaram, oficialmente, tratava-se de uma operação de SWAP (troca de papéis) "realizada dentro da lei". 

Diretor financeiro do fundo de pensão, Luiz Carlos Prado admitiu o prejuízo, que chegou a ser contabilizado no balanço de 2004. Ele disse que as condições determinadas para que a troca dos pap

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