O governo não vai mais receber os R$2 bilhões em bônus da Petrobras neste ano nem usará os recursos do Fundo Soberano para tentar melhorar um pouco as contas públicas, que devem fechar 2014 no vermelho.
Segunda, 29 de Dezembro de 2014 às 13:55, por: CdB
O governo não vai mais receber os R$2 bilhões em bônus da Petrobras neste ano nem usará os recursos do Fundo Soberano para tentar melhorar um pouco as contas públicas, que devem fechar 2014 no vermelho.
O Fundo Soberano tem hoje cerca de R$3,7 bilhões, sendo que quase R$3,3 bilhões aplicados em ações do Banco do Brasil
A informação foi dada nesta segunda-feira pelo secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, ao comentar o resultado do governo central (Tesouro, Banco Central e Previdência), que registrou déficit primário de R$6,711 bilhões no mês passado, pior resultado para novembro, influenciado pelo pagamento da segunda parcela do 13º salário a aposentados e pensionistas e de sentenças judiciais.
"Adianto dois fatos que não deverão ocorrer (em dezembro): o pagamento de R$2 bilhões pela Petrobras e o uso do Fundo Soberano", disse o Augustin, a jornalistas.
Os bônus da Petrobras estão vinculado à cessão onerosa para exploração de petróleo. Segundo Augustin, a estatal --que passa por profunda crise por conta de um suposto esquema de corrupção, cuja investigação já levou à prisão ex-executivos da Petrobras-- não repassará o dinheiro por conta de questionamentos do Tribunal de Contas da União (TCU).
O Fundo Soberano tem hoje cerca de R$3,7 bilhões, sendo que quase R$3,3 bilhões aplicados em ações do Banco do Brasil, o que causou algumas reações no mercado com medo de que o fundo pudesse vender esses papéis para levantar os recursos. Augustin não explicou por que não usará os recursos do fundo nas contas neste ano.
Esse cenário veio após o mau desempenho em novembro, quando pesou no déficit do governo central o pagamento de R$6,1 bilhões de sentenças judiciais e precatórios. Desse total, segundo o Tesouro, R$3,4 bilhões são relativos a benefícios previdenciários, R$2,2 bilhões a pessoal e R$564,6 milhões a custeio.
No acumulado do ano, a economia feita para o pagamento de juros do governo central estava negativa em R$18,320 bilhões até o mês passado, muito aquém dos R$10 bilhões que o governo recentemente informou que pretendia fazer em 2014.
Só em novembro, a Previdência registrou déficit primário de R$7,912 bilhões, acumulando no ano resultado negativo de R$58,467 bilhões.
No mês passado, o Tesouro registrou superávit primário de R$1,488 bilhão, somando no ano saldo positivo de R$40,346 bilhões. Já o BC, apresentou saldo negativo de R$287,1 milhões em novembro, passando a ficar R$197,9 milhões no vermelho no ano.
O desempenho fiscal ruim reflete o ano de baixo crescimento, fraca arrecadação e elevadas desonerações, que de janeiro a novembro somaram R$93 bilhões.
O Tesouro informou ainda que, em novembro, a receita líquida somou R$83,665 bilhões, 8,7% menor do que outubro. No ano, ela soma R$914,785 bilhões, 2,8% acima de igual valor de 2013.
Já as despesas ficaram em R$90,376 bilhões em novembro, 3,2% maiores que outubro. No ano, atingiram R$933,104 bilhões, 12,7%o a mais do que em igual período de 2013.
No acumulado de 2014 até novembro, registraram fortes aumentos os gastos com pagamento de servidores (+8,5%), benefícios trabalhistas (+18,2%), repasses para a Conta de Desenvolvimento Energético (+41,3%).
Diante do mau desempenho das contas públicas, o governo decidiu fazer uma alteração da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), aprovada pelo Congresso depois de muito esforço e debaixo de duras críticas. Na prática, a mudança acabou com a meta de superávit primário deste ano para o setor público consolidado (governo central, Estados, municípios e estatais)
Num esforço para reverter a progressiva deterioração das contas públicas e reconquistar a confiança dos agentes econômicos, a nova equipe econômica anunciou que a meta de primário para 2015 é equivalente a 1,2% do PIB.
Entre outros pontos, já informou que quer acabar com os aportes aos bancos públicos para tirar o peso sobre a dívida bruta do país. Para tanto, há poucos dias, elevou parte das taxas de juros subsidiadas do BNDES.
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