Rio de Janeiro, 10 de Agosto de 2026

Fundo internacional de combate à pobreza ganha apoio da Terceira Via

Uma das principais propostas da política internacional brasileira ampliou seu reconhecimento internacionail, ontem, com a inserção de uma frase no documento final da reunião de cúpula da Governança Progressista, da qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa, em Londres. Segundo a carta, assinada por chefes de Estado presentes ao encontro, a Terceira Via - movimento que reúne países não alinhados com a política conservadora dos Estados Unidos ou com o socialismo radical da China e de Cuba - apóia "novas discussões sobre o fundo internacional de combate à fome", uma proposta do presidente brasileiro encaminhada aos países mais ricos do mundo e a Rússia, que integram o G-8. (Leia Mais)

Sábado, 12 de Julho de 2003 às 15:18, por: CdB

Apesar de o assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, dizer que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não faz parte da Terceira Via, o governo brasileiro está participando da elaboração do documento final da reunião da cúpula da Governança Progressista que começou ontem, em Londres, e da qual Lula participa amanhã.

A pedido do Brasil, foi incluído no documento uma frase em que os representantes da Terceira Via apóiam 'novas discussões sobre o fundo internacional de combate à fome" proposto por Lula.

'Alguns acham que o documento é o mais importante. Para nós, o mais importante é vir à reunião e o presidente Lula apresentar sua agenda para o mundo, que é centrada nas questões sociais", disse Garcia.

Mas ainda houve muitas divergências sobre o documento, que será assinado pelos 15 chefes de Estado que participam do encontro. O Brasil se opõe à proposta britânica de um apoio mais explícito ao chamado direito de proteção dos países.

Segundo o assessor, embora a discussão não trate abertamente da teoria do ataque preventivo defendida pelos Estados Unidos, essa é a questão de fundo, e o Brasil não concorda em avançar no tema.

"O princípio de não intervenção faz parte da política externa do país há muito tempo", segundo ele, e não há motivos para avançar na discussão porque nem na ONU o assunto está maduro.
Lula participa amanhã do seu primeiro compromisso na reunião da Terceira Via, fazendo um discurso rápido no Simpósio Público, com outros oito governantes, na sede do encontro, no hotel Hilton Metropole, em Londres.

Antes disso, visita o Pavilhão Niemeyer, obra do arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, e depois tem um encontro com o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, anfitrião da conferência. Na agenda com Blair, a reforma do Conselho de Segurança da ONU, proposta pelos britânicos, e o possível apoio à candidatura do Brasil a uma vaga permanente no conselho.

No meio da tarde, o presidente vai para o hotel Pennyhill, a 40 quilômetros de Londres, onde será a reunião da cúpula da Governança Progressista, da qual participam os governantes e os seus 'sherpas". Esse é o nome que designa a função dos negociadores de cada país na preparação do documento e, no caso do Brasil, Garcia é o 'sherpa".

Ontem, durante a reunião da cúpula da Governança Progressista, o ex-presidente americano Bill Clinton propôs a criação de nova linha de financiamento do Fundo Monetário Internacional (FMI) ou do Banco Mundial para que os países em crise possam fazer as chamadas políticas anticíclicas, ou seja, adotar medidas de estímulo ao crescimento com os ajustes econômicos. 'Seriam novas linhas no FMI ou no Banco Mundial para dar recursos aos países que precisam adotar políticas anticíclicas, com prazos de pagamento de 30 anos, a custo mais baixo ou mesmo que os países não paguem, desde que adotem determinadas medidas", disse.

Pouco antes de Clinton, o presidente do Chile, Ricardo Lagos, também em discurso durante a reunião, fez pesadas críticas ao FMI por impor aos países políticas de ajuste que agravavam o declínio de suas economias. Citando o caso da Argentina, Lagos disse que as políticas do FMI produziram 'mais dano do que os problemas que elas se propunham a resolver".

Tags:
Edições digital e impressa