Rio de Janeiro, 19 de Agosto de 2026

Fundações sob fogo cerrado da mídia

Segunda, 24 de Janeiro de 2011 às 14:36, por: CdB

Nilmário MirandaNo bojo dos ataques a elevação das dotações orçamentárias para os partidos, a mídia desencadeou, também, uma ofensiva absolutamente gratuita contra as fundações partidárias, em particular contra a Perseu Abramo, órgão de estudos do PT. Para explicar os reais motivos por trás dessa campanha, e seus objetivos, eu entrevistei hoje o presidente da fundação Perseu Abramo, ex-deputado Nilmário Miranda (PT-MG). Leia abaixo a íntegra da nossa conversa:

Zé Dirceu: Qual o motivo da ofensiva da mídia contra as fundações partidárias, a Perseu Abramo, do PT, e outras?

Nilmário Miranda: Razões ideológicas e mau jornalismo, sobretudo da parte da Folha de S.Paulo. Os jornais - o Folhão em particular - dizem que não há fiscalização da Justiça Eleitoral sobre as fundações. Estão cobrando uma bobagem. A Justiça Eleitoral não pode fiscalizar o que não é de sua competência e as fundações não interferem nem financiam eleições nem atividades político-partidárias. Não é este o seu papel e se fizessem teriam que responder judicialmente mesmo. Pode haver fundação que desrespeite a legislação, mas decididamente não é o caso da do PT, a Fundação Perseu Abramo.  Então, os jornais não podem generalizar como estão fazendo. É uma leviandade.

ZD: Quem fiscaliza as fundações?

Nilmário Miranda: O Ministério Público. Ele fiscaliza e muito. Elas são controladas, enviam relatórios de seus trabalhos. O Ministério Público sempre elogiou o trabalho da Fundação Perseu Abramo. Ela nunca sofreu nenhuma diligência, nenhum procedimento dessa natureza. Então, são matérias de má fé. A Folha, inclusive, nos enviou um questionário a que respondemos. Mandamos informações detalhadas e ela ignorou.

ZD: Quais as principais acusações dessa série de matérias de agora?

Nilmário Miranda: Com colocações que nem chegam a ser feitas claramente, a Folha insinua de forma desqualificadora, manipulada, que pode haver irregularidades no fato de só a Fundação  Perseu Abramo ter sede própria. Não sei o que a Folha quer com isso - justo ela, que posa de autora de uma campanha moralizadora na área política. As fundações partidárias visam justamente isto, desenvolver príncipios, valores, ética - tudo o que a mídia procura desqualificar.

Acusam, ainda, as fundações partidárias de usar seus recursos sem  transparência. Mas, quais fundações? Tem que precisar, dizer quais. A Fundação Perseu Abramo usa seus recursos com a mais absoluta e rigorosa transparência. A Folha diz que as fundações são dirigidas por políticos derrotados em 2010, que receberam as direções como compensação, como prêmio de consolação. José Serra, por exemplo, pode ser que vá - não foi ainda - dirigir a Fundação Teotônio Vilela, do PSDB, não como prêmio, mas porque é considerado um pensador no partido, um intelectual. Eu estou à frente da Perseu Abramo desde 2008. O senador Elizeu Resende (DEM-MG) estava à frente da fundação de seu partido há muito tempo.

Veja o absurdo: a Folha me mandou um questionário e depois não conversou com a Fundação. Então, o erro maior desse material é procurar desqualificar as fundações quando elas são instituições extremamente positivas para a democracia. Elas contribuem para fortalecer os partidos, a identidade partidária, a difusão de valores, a partir da ideologia do partido de cada uma.

ZD: Como as fundações fazem esse trabalho?

Nilmário Miranda: Na Fundação Perseu Abramo, por exemplo, nós publicamos 20 livros só no ano passado. Entre 2004 e 2008 mais de 600 intelectuais e personalidades participaram de seminários, eventos, conferências e outras iniciativas na Fundação Perseu Abramo. Nós dispomos de um núcleo de pesquisas históricas exemplar. No ano passado, em parceria com o SESC-SP, realizamos levantamentos sobre a situação da mulher e do idoso. Temos uma pesquisa pronta sobre os índigenas, que sai agora em março. Nossas pesquisas sobre o racismo geraram um livro e sobre a juventude resultaram em três livros. A feita sobre LGBT é considerada um marco na área. Temos uma revista, a Teoria e Debate, que já existe há 16 anos. E temos a Escola Nacional de Formação que se dedica a cursos permanentes para gestores, vereadores, militantes partidários e políticos.

 

Foto do Blog do Nilmário.

 

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