Funcionários públicos de todo o Brasil, liderados por entidades historicamente ligadas ao PT, como a CUT (Central Única dos Trabalhadores) e as Contsef (Confederações dos Trabalhadores no Serviço Público Federal) e na Educação (CNTE), prometem ocupar a partir desta terça-feira a Esplanada dos Ministérios e exigir do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o início de negociações para mudar o projeto de reforma da Previdência. Os primeiros ônibus com os funcionários públicos começarão a chegar nesta terça-feira a Brasília. - Serão de 3 mil a 4 mil trabalhadores na terça-feira e, na quarta, entre 25 mil e 30 mil - calcula o sindicalista Ismael José César, da Executiva da CUT da capital federal. Quarta-feira, os funcionários farão uma passeata da Catedral de Brasília até o Congresso e o Palácio do Planalto. - Queremos ser recebidos pelo presidente Lula, porque o governo negociou até agora com todo mundo. Mas, de forma intransigente, só não aceitou negociar o projeto de reforma da Previdência - afirma César. Eles prometem ainda cercar o Legislativo. Terça-feira à tarde, haverá uma manifestação dos funcionários do Judiciário no espaço que fica entre os tribunais superiores. Com a proximidade da instalação da Comissão Especial da Reforma da Previdência, aumentou nos programas de rádio e televisão a publicidade patrocinada por entidades de servidores públicos com mensagens agressivas contra as mudanças pretendidas pelo governo. Os sindicatos ligados à Justiça alegam que a administração federal rendeu-se ao FMI (Fundo Monetário Internacional). O Sindsef (Sindicato dos Servidores do Legislativo) ataca no intervalo do Jornal Nacional, da Rede Globo de Televisão. Todos, com pesados ataques à reforma. O novo presidente nacional da CUT, Luiz Marinho, aliado de Lula, prometeu aos organizadores que estará presente na manifestação. A central apóia as pressões para que sejam iniciados entendimentos por mudanças no projeto de reforma previdenciária, embora tenha excluído críticas ao Poder Executivo no documento final do encontro de São Paulo. Marinho defende a elevação do teto para a cobrança de contribuição previdenciária, passando dos R$ 1.058 previstos para R$ 4.800 (20 salários mínimos).
Funcionários públicos querem mudanças na reforma
Terça, 10 de Junho de 2003 às 00:49, por: CdB