Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 2026

Funcionários da Febem param

Sábado, 15 de Janeiro de 2005 às 19:32, por: CdB

Ânimos exaltados na Fundação Estadual de Bem-Estar do Menor (Febem). Os funcionários da instituição decretaram greve a partir das 10 horas desse sábado em assembléia na sede do sindicato da categoria, no Tatuapé, zona leste de São Paulo. O secretário de Justiça e presidente da Febem, Alexandre de Moraes, classificou a paralisação de "ilegal e inconstitucional" e garantiu que demitirá quem aderir à greve.

Pelo menos 70 funcionários fizeram um piquete na porta da unidade Tatuapé da Febem, pela manhã, para tentar retirar os companheiros. A orientação do sindicato era de que os colegas que estavam em casa fossem avisados para se integrar aos piquetes, que deveriam percorrer todas as unidades. A Tropa de Choque da PM foi acionada para conter os manifestantes. O clima era de tensão, mas sem enfrentamento.

A greve estava prevista para terça-feira (18), mas foi antecipada em função da substituição, na madrugada de ontem, de cerca de 500 funcionários da segurança nos cinco principais complexos da entidade - Tatuapé, Brás, Vila Maria, Franco da Rocha e Raposo Tavares, onde estão 4,5 mil internos, por 400 novos funcionários.

O sindicato protestou contra a súbita retirada dos funcionários, que viu como "arbitrária e discriminatória", por não distinguir entre servidores acusados de irregularidades e maus-tratos e os demais.

O diretor do sindicato, Antônio Gilberto da Silva, disse que a entidade entrará na Justiça se o secretário demitir os funcionários que aderirem à greve.

- São servidores concursados e não podem ser dispensados desta forma, sem nenhum processo legal - justificou.

Com a intervenção nas unidades, Moraes considera que o Estado deu uma demonstração de força.

- Mostramos que quem manda na Febem é o governo e não o sindicato ou quem quer que seja - disse. De acordo com ele, entretanto, os funcionários que saíram dos turnos dando lugar aos novos não foram demitidos e, na segunda, deverão assumir seus cargos normalmente.

Não foram avisados da mudança porque, segundo ele, o fator surpresa seria prejudicado. Foram contratados 600 agentes de segurança e outros 300 agentes educacionais deverão ser chamados em breve. Estes têm curso superior. Os agentes de segurança fizeram um treinamento de 45 dias, considerado insuficiente pelos funcionários antigos e pelo sindicato da categoria.

- Eles não têm experiência, mas também não têm os vícios de parte dos funcionários antigos - disse Moraes.

Pela manhã, na assembléia, com a presença de funcionários substituídos, a situação era tensa. O diretor Antônio Gilberto disse que a troca à força, com apoio da PM, foi "uma punhalada nas costas da categoria, uma verdadeira patifaria além de uma atitude intimidatória por parte da direção". A paralisação foi aprovada por unanimidade no auditório da entidade, com cerca de 300 servidores.

O secretário, por sua vez, rebateu afirmando que a greve prevista pela entidade tinha o propósito de "defender torturadores, com atitudes revanchistas contra os internos". Disse ainda que conta com apoio do governador Geraldo Alckmin (PSDB) nas medidas que tomou e não recuará um milímetro nas suas decisões. A Febem tem cerca de 9 mil funcionários, 5 mil dos quais atuando como agentes de pátio, ou seja, seguranças.

A pretensão da entidade com a reforma administrativa iniciada com as substituições é criar duas categorias de funcionários de forma que os seguranças façam somente contenção e os agentes educacionais trabalhem realmente como educadores, sem confundir os trabalhos.

De acordo com o sindicato, a paralisação tem o objetivo de pedir melhores condições de trabalho e segurança. Um total de 23 funcionários da entidade foram presos na semana passada sob acusação de maus-tratos a internos.

Trauma - Por volta das 23 horas de ontem (14), 150 funcionários temporários chegaram ao Complexo Tatuapé da Febem. O secretário da Justiça e presidente da Febem, Al

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