Um funcionário da empresa norte-americana Titan . foi acusado de ter torturado prisioneiros iraquianos, afirmou o jornal The Wall Street Journal na sexta-feira.
A empresa, que fornece tradutores e intérpretes para os militares dos EUA no Iraque, foi nomeada em um relatório interno das Forças Armadas sobre os abusos cometidos na prisão de Abu Ghraib, disse a publicação.
Um militar norte-americano que leu o documento disse ao WSJ que um empregado da Titan havia confessado ter ajudado a segurar detentos que foram "deixados nus, algemados uns aos outros e colocados em posições que lembravam atos sexuais".
O relatório surge no momento em que investidores e analistas questionam se o plano da Lockheed Martin de comprar a Titan vai fracassar devido a um escândalo de suborno e a uma menção anterior da empresa em outro relatório sobre tortura.
A Lockheed também disse na sexta-feira que as possíveis ligações dos empregados da Titan com o mau-trato de prisioneiros iraquianos não teria um efeito "significativo" sobre o resultado do acordo.
Um relatório elaborado pelo major general Antonio Taguba já havia envolvido um funcionário da Titan em acusações de tortura, mas novos detalhes foram incluídos em um documento secreto da Divisão de Investigação Criminal do Exército, ainda não divulgado.
O relatório da divisão disse que o empregado da Titan havia cometido "atos indecentes" e atos de "crueldade e de maus-tratos" segundo o WSJ.
Nenhum representante da empresa foi encontrado para se manifestar sobre o caso. Mas Will Williams, porta-voz da Titan, disse à Reuters e ao WSJ que as Forças Armadas não tinham comunicado a empresa sobre nenhuma irregularidade.
As ações da Titan caíam 1,46 por cento, negociadas a 18,86 dólares às 12h53 (horário de Brasília). A Lockheed ofereceu pagar 20 dólares por ação.