Em depoimento à CPI do Apagão Aéreo o funcionário da Embraer David Bachmann negou, nesta quarta-feira, ter auxiliado os pilotos do jato Legacy, Jan Paladino e Joseph Lepore, a operarem a aeronave no dia em que ela colidiu com o Boeing da Gol, no ano passado. Bachmann estava à bordo do jato no momento do acidente. O funcionário chorou durante o depoimento.
Na transcrição da caixa preta do jato obtida pela comissão, uma terceira pessoa conversa com os pilotos na cabine da aeronave. Os deputados suspeitam que a voz seja do funcionário da Embraer.
Segundo Bachmann, após o choque com o boeing da Gol os pilotos da aeronave conversaram com os passageiros por não terem compreendido os motivos de um "forte impacto" no avião, por isso a caixa-preta pode ter registrado vozes de outros passageiros.
- Houve uma grande dúvida se continuaríamos voando. Quando houve decisão de pousar, o comentário era de que estava difícil continuar manobrando. Os diálogos ocorreram depois do impacto e no sentido de preservarmos nossas vidas -3, afirmou.
O funcionário da Embraer disse que não percebeu dificuldades dos pilotos na operação do Legacy. Segundo Bachmann, Lepore e Paladino não demonstraram preocupação com a suposta falta de contato com controladores de vôo nem com a possibilidade de o transponder estar desligado, uma vez que o vôo transcorria sem sobressaltos.
Bachmann também revelou à CPI que não percebeu mudanças na altitude do Legacy durante o vôo. Segundo o funcionário da Embraer, o air show (painel que aponta a atitude da aeronave) registrava a altitude de 37 mil pés no momento em que o jato se chocou com o boeing.
O funcionário da Embraer chorou durante o depoimento ao lembrar o dia do acidente com o boeing da Gol. Bachmann disse que sentiu um "choque muito grande, não auditivo" como se fosse "a vibração no corpo após levar uma paulada".
Odeputado Marco Maia (PT-RS), relator da CPI, disse que o funcionário da Embraer não conseguiu responder a uma série de questionamentos necessários às investigações.
O relator também não descarta uma nova convocação de Bachmann para que o funcionário da Embraer ofereça mais detalhes sobre o acidente. Maia disse ter percebido uma operação de defesa dos pilotos da aeronave articulada por Bachmann, embora ele tenha negado enfaticamente qualquer favorecimento a Lepore e Paladino na CPI.
Funcionário da Embraer nega ter ajudado pilotos do <i>Legacy</i>
Quarta, 06 de Junho de 2007 às 17:06, por: CdB