Rio de Janeiro, 19 de Outubro de 2026

Fumante passivo é foco de campanha do Inca

Conscientizar a população sobre os riscos que corre o fumante passivo, aquele que convive com fumante, é o foco da campanha deste ano do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional do Câncer (Inca) para o Dia Nacional de Combate ao Fumo, lembrado nesta sexta-feira. O tema é Ambientes 100% livres de fumo: um direito de todos. (Leia Mais)

Sexta, 29 de Agosto de 2008 às 06:31, por: CdB

Conscientizar a população sobre os riscos que corre o fumante passivo, aquele que convive com fumante, é o foco da campanha deste ano do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional do Câncer (Inca) para o Dia Nacional de Combate ao Fumo, lembrado nesta sexta-feira. O tema é Ambientes 100% livres de fumo: um direito de todos.

Estudo divulgado na semana passada pelo Inca mostrou que todos os dias sete brasileiros morrem por doenças causadas pela exposição à fumaça do tabaco.

– Ou seja, pessoas que nunca fumaram e conviveram ou no trabalho ou em casa com pelo menos um fumante – destaca a técnica da Divisão de Controle de Tabagismo do Inca, Érica Cavalcante.

De acordo com ela, o quadro pode ser ainda mais preocupante, já que a pesquisa teve como foco somente a população urbana, a partir da incidência de três doenças. Érica Cavalcante destaca que apesar de o estudo ter sido abrangente, ainda não mostra o quadro total.

A partir dos dados do estudo, a equipe do Inca pretende ajudar a conscientizar a população de que não se pode fumar em ambientes fechados sob hipótese alguma. Mesmo em casa, “o correto seria que a pessoa saísse de casa e fosse fumar em lugar aberto”, explica. Isso porque a fumaça do cigarro tem cerca de 400 substâncias tóxicas, entre elas várias cancerígenas.

A técnica ressalta que alguns mitos apresentados pela indústria do tabaco são falsos, como a eficiência de se separar o ambiente entre fumantes e não-fumantes ou a utilização de equipamentos para a circulação de ar como forma de evitar a concentração da fumaça.

– Vários estudos já provaram que não existe um sistema de circulação que limpe a área e não tem como isolar, porque a fumaça não vai respeitar esses critérios – afirmou.

Outro ponto destacado na campanha é que a fumaça do cigarro pode ser considerada um fator de risco ocupacional, ligado ao ambiente de trabalho. Isso faz com que o empregador possa ser responsabilizado por danos à saúde dos funcionários - por exemplo, de um restaurante - que atendam fumantes.

– Essas pessoas que trabalham em ambiente fechado estão se expondo involuntariamente, elas não escolhem, acabam tendo que servir num local em que as pessoas acabam fumando – explica Cavalcante.

Ela afirma que a cobrança de não-fumantes para que aqueles que fumam não o façam em ambientes fechados não pode ser considerada uma “chatice”, da mesma forma que a proibição determinada por lei e por decretos em estados como a Paraíba ou o Distrito Federal, não é uma restrição de direitos.

– Eu acho que é uma questão de educação, de mudança de comportamento. O fumante tem direito, desde que não afete aquele que não fuma; se ele quer fumar, tudo bem, mas não é direito dele fazer isso em ambiente fechado, onde vai trazer danos para quem não fuma – completa.

Segundo a técnica, de cada três cigarros acesos, a pessoa que está próxima fuma um.

Tags:
Edições digital e impressa