Por Gerhard Grube 18/05/2011 às 01:47
Em Fukushima a situação não está nada boa.
Existem no mundo 438 reatores nucleares. Aconteceram pelo menos 3 acidentes graves: Three Mile Island (1979, EUA) , Chernobil (1986, Ucrânia) e agora em Fukushima no Japão.
E certamente muitos outros, mas de menor importância. Não sendo assunto suficiente para os meios de comunicações.
Se caíssem 3 aviões em cada 438 (0,7% do total) certamente ninguém viajaria de avião!
Li em algum lugar que as usinas nucleares só existem devido ao forte incentivo dado pelo poder público. Uma questão estratégica. É uma energia cara, e precisa ser subsidiada.
Sem este incentivo (que inclui a reduzidíssima responsabilidade obrigatória das empresas no caso de acidente nuclear), ninguém se atreveria a investir nelas.
Nenhuma seguradora cobre acidentes graves, como o de Fukushima. Prejuízos de bilhões, podendo chegar ao trilhão de dólares.
O petróleo é também uma questão estratégica. E por isso o governo estadunidense fez de tudo para encobrir, e minimizar a responsabilidade das empresas envolvidas no vazamento de petróleo no Golfo do México em 2010. Sequer investigou o assunto, apesar das evidências de descuido e negligência.
Se a BP (British Petroleum) fosse obrigada a arcar com a totalidade dos prejuízos, essa gigantesca empresa teria fechado as portas.
Por estes dias foi confirmado o "meltdown" do reator número 1 em Fukushima, causando vazamento e aumento da radiação. A gravidade é a mesma de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986.
Usinas nucleares são extremamente seguras, e nem poderia ser diferente. Coisas assim só acontecem muito excepcionalmente. Desta vez não foi problema de operação, e sim terremoto e tsunami.
Coitados dos japoneses. Sofreram com Hiroshima e Nagasaki, e agora isto!
As pessoas não podem se aproximar do local por causa da radiação. E tudo fica mais ou menos na adivinhação do que realmente está acontecendo.
Mesmo robôs, cuja eficiência é bastante restrita, acabam não podendo ser usados direito. A radiação interfere nos circuitos eletrônicos. E eles começam a dar problemas.
E também não existe honestidade nos comunicados. O governo, a TEPCO (Tokyo Eletric Power Company) e os meios de comunicações não falam a verdade por causa dos interesses econômicos envolvidos. E para não causar pânico, desnecessariamente.
A TEPCO já está com problemas financeiros. As ações caíram, e ela não tem mais a renda desta usina nuclear que parou de funcionar. Recebeu ajuda do governo de bilhões. Que está sendo divulgada como "ajuda emergencial às vítimas do acidente".
Mas tem gente dizendo que é apenas um "bailout" fraudulento da empresa, com dinheiro público.
Como empresa particular, a responsabilidade da TEPCO é com os acionistas. E assim, como a BP no Golfo do México, vai procurar reduzir ao mínimo as despesas com o incidente. Sejam quais forem as conseqüências.
E nisto, o governo nada mais pode fazer, do que dar o seu total apoio. Pois se a TEPCO for à falência, o governo fica com a batata quente na mão.
A TEPCO já aumentou a tarifa da energia elétrica (reduzindo os descontos) e o governo pretende aumentar o imposto sobre energia elétrica. O usuário paga a conta, ou seja, o desastre.
Mas o que está irritando bastante os japoneses, é que o governo aumentou 20 vezes o nível de radiação permitido para crianças. Na finalidade de reduzir o fechamento das escolas.
Como em Chernobyl e no Golfo do México, o prejuízo imediato é enorme. Mas o de longo prazo é gigantesco, considerando as pessoas e o meio ambiente. Difícil de avaliar, mas principalmente dificílimo de ser provado nos tribunais.
Assim os danos de longo prazo, bem ou mal, serão absorvidos pela coletividade. Mesmo muito dos danos imediatos vai ser problema de cada um e do governo. Pois a responsabilidade da TEPCO é com os acionistas, não com os afetados pela tragédia.
Depois de resolvidos os problemas mais urgentes, a TEPCO provavelmente vai disponibilizar algum numerário significativo, para indenizações e danos ambientais. Negociado o mais possível para não afetar a saúde financeira da empresa. E o assunto será encerrado.
Como foi com a BP no golfo do México.
Os meios de comunicações, ostensivamente passarão a ignorar o assunto, como se tudo estivesse plenamente resolvido. Já estão fazendo isso.
Pois é impossível ficar sem petróleo e sem a energia elétrica das nucleares. E também para ocultar que as empresas particulares são boas de lucro, mas péssimas quando acontecem prejuízos para as pessoas e o meio ambiente.
Mas os problemas não foram resolvidos. O petróleo continua no fundo do golfo do México a contaminar e matar pequenos organismos dos quais se alimentam os peixes. E a irradiação de Fukushima, mesmo em "níveis mais seguros", vai continuar por muitos e muitos anos. A causar danos nas pessoas.
Isto é assim quando os envolvidos são países ricos, como o Japão e Estados Unidos. Quando existe dinheiro.
Mas como seria um desastre petrolífero de grandes proporções ou nuclear, num país pobre ou com dificuldades financeiras?
A Ucrânia, do desastre de Chernobyl, é pobre atualmente. O "sarcófago" que encerra a desastrada usina nuclear, decorridos 25 anos, precisa ser melhorado. Talvez outro "sarcófago" maior a encerrar o primeiro.
Quem vai dar o dinheiro?
Sobre o assunto: http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=24780