Rio de Janeiro, 11 de Agosto de 2026

`Fui vítima de tentativa de extorsão´, diz ministro da Justiça

Quarta, 16 de Julho de 2003 às 21:24, por: CdB

Em meio à guerra contra o crime organizado e a conturbada investigação sobre o caso Banestado, US$ 30 bilhões que inundaram paraísos fiscais e agora tiram o sono de governantes e políticos brasileiro, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, está muito atento a um inquérito, registrado com o número 2-1637-03, que corre sob segredo na Polícia Federal em São Paulo.

- Fui vítima de tentativa de extorsão - declarou o ministro, referindo-se ao Dossiê Ermovale, um punhado de papéis que a PF apreendeu em 17 de junho à porta de um prédio na Rua Álvaro de Carvalho, no centro da capital.

Bastos disse que, há cerca de três meses, alertou o superintendente regional da PF, delegado Francisco Baltazar, sobre a ação de um grupo que estaria tentando vender o dossiê. São 67 páginas que narram a suposta remessa de US$ 4 milhões para as Ilhas Virgens Britânicas que teria sido realizada pela empresa Ermovale Agropecuária Ltda.

Empresa que foi criada no início dos anos 90 pelo engenheiro Ivo Morganti Júnior, que herdou do pai, a quem teria mandado matar, em 1982, parte de um império de US$ 150 milhões.

O velho Ivo Morganti, que morreu com um tiro nas costas, aos 58 anos, na cidade de São Carlos (SP), foi o maior usineiro de açúcar e álcool do País. Advogado criminalista, Bastos defendeu nos tribunais Ivo Júnior e sua mãe, Maria Dirce Farani Morganti, também acusada de ter sido mandante do crime.

A título de honorários, o advogado ficou com uma propriedade dos Morganti, a Fazenda Tamanduá, em Ribeirão Bonito, com 1.092 alqueires.

Por meio de contrato registrado em abril de 1991 no cartório de Ibaté, Bastos arrendou o imóvel à Ermovale. Dois anos depois, Júnior e sua mãe quiseram reaver a fazenda.

- Troquei 400 alqueires por outra propriedade dos Morganti, em Piracicaba. Foi uma transação absolutamente legal e declarada ao Fisco - diz o ministro.

No Dossiê Ermovale, e nos depoimentos tomados pela PF, há citações a uma offshore, a Piermont Corporation, e ao nome do ministro. O comerciante Carlos Umberto Pereira e o contador Carlos Roberto Alves são os denunciantes.

Eles afirmam que a transferência dos US$ 4 milhões, em junho de 1993, teve Bastos como beneficiário. Os papéis não têm uma única assinatura do ministro.

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