O diário inglês Financial Times, em editorial publicado nesta quarta-feira, alerta que o presidente, em seu segundo mandato, vai precisar reestruturar os gastos públicos e implementar reformas para garantir que a economia brasileira cresça mais, tornando o país competitivo no cenário internacional. Com o título "O teste para Lula", o artigo acrescenta que "a estabilidade econômica e uma política social inconsistente, mas com resultados efetivos, provaram ser os alicerces" da reeleição de Lula, ofuscando a série de escândalos de corrupção que atingiram seu governo. "Lula deveria agora melhorar os gastos e restrições que limitam a capacidade do Brasil atrair investimento e prejudicam sua capacidade de crescimento", disse.
O conservador jornal londrino diz, ainda, que a escala da vitória de Lula foi "impressionante". Segundo o editorial, Lula deve "agradecer em parte as condições favoráveis na economia internacional, incluindo os elevados preços de commodities e a ampla liquidez nos mercados financeiros". Além da estabilidade econômica que resultou uma inflação mais baixa, observa o FT, políticas sociais resultaram na melhora da renda entre as faixas mais pobres da população.
"Apesar dessas conquistas, o Brasil não está crescendo de maneira alguma com uma rapidez suficiente. O desafio será aumentar tanto o investimento privado quanto o público", diz o texto.
Segundo o FT, o ambiente para negócios precisa ser facilitado, além de uma maior previsibilidade no ambiente regulatório. O Brasil também precisa simplificar "seu complicado regime tributário e implementar de fato regras que reduzam as cargas onerosas enfrentadas por pequenas empresas". Mas acima de tudo, observou o jornal, Lula precisa estar preparado para adotar decisões difíceis com o objetivo de remodelar o gasto público. "Isso não significa cortes nos desembolsos para os pobres: a Bolsa Família absorve apenas 0,4% do PIB", disse. "Mas significa ação decisiva para reduzir os benefícios sociais para aqueles em boa situação. Mais reforma no sistema previdenciário é urgente." Segundo o FT, é improvável que tais reformas ocorram. "Mas elas são uma pré condição para um sucesso sustentável."
O artigo também diz que se as condições externas continuarem favoráveis, o Brasil evitará uma crise. "Mas sem reformas vai continuar ficando cada vez mais atrás de seus competidores". Segundo o FT, ao colocar o Brasil no patamar de crescimento, Lula poderia "fazer uma diferença real, de longo prazo, para o futuro de seu país".