A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) tentou neste ano negociar uma fusão com a Arcelor e já havia tentado a mesma transação com a alemã Thyssen-Krupp, diz reportagem publicada na edição desta segunda-feira do diário britânico Financial Times. A possibilidade de uma fusão entre a CSN e a Arcelor foi discutida há alguns meses, segundo o FT, quando a empresa européia ainda buscava uma forma de combater as tentativas de aquisição feitas pela Mittal Steel (o negócio com a Mittal, no entanto, acabou se concretizando neste ano).
A falta de um acordo entre a CSN e a Arcelor impediu a formação de uma aliança, segundo fontes próximas à negociação ouvidas pelo FT. O plano de uma fusão com a Thyssen-Krupp, por sua vez, naufragou em 2001, quando a empresa alemã decidiu vender a mineradora Ferteco à Companhia Vale do Rio Doce. Uma fonte da CSN disse ao jornal britânico que a decisão supreendeu a empresa e que a idéia de uma cooperação (ou mesmo uma fusão) com a Thyssen-Krupp não poderia ter o mesmo apoio de antes.
O FT cita o desentendimento entre a ThyssenKrupp e a CSN em 2004 quanto a um acordo quanto laminadora de aço GalvaSud. À época, a CSN comprou a participação da ThyssenKrupp na GalvaSud, constituída em 26 de maio de 1998, com 51% de participação da siderúrgica brasileira e 49% da alemã. A GalvaSud entrou em operação em dezembro de 2000 e se especializou na produção de bobinas galvanizadas e no beneficiamento de aços planos.
No mês passado, a CSN apresentou uma oferta de 4,75 libras (cerca de US$ 9 ou R$ 19) por ação da siderúrgica Corus (em um negócio que pode chegar a US$ 8 bilhões) e pode ter de enfrentar uma batalha com a Tata Steel para ficar com a empresa. A oferta ainda tem de ser apresentada oficialmente, no entanto. A Tata Steel já havia apresentado antes da CSNuma oferta de 4,55 libras por ação, que pode levar a oferta a US$ 7,7 bilhões. A Corus adiou uma reunião de acionistas, marcada inicialmente para hoje, para o dia 20 deste mês, a fim de dar à CSN mais tempo para que possa formalizar sua compra.
Instâncias reguladores de mercado e concorrência da União Européia estabeleceram um prazo até 3 de janeiro para decidir sobre a oferta da Tata à Corus. Segundo a CSN, uma fusão com a Corus poderia criar um dos cinco maiores grupos siderúrgicos do mundo, com faturamento anual de US$ 25 bilhões. O negócio seria também o segundo maior da siderurgia mundial neste ano, atrás apenas da fusão entre a Mittal e a européia Arcelor, que criou a maior empresa do setor.