O conservador Financial Times, em editorial publicado na edição desta sexta-feira, reforça o temor das democracias neoliberais de que a América Latina poderá ser palco de uma onda de populismo, em um ano de eleições presidenciais em nove países da região. Segundo o diário inglês, a "América Latina corre o risco de perder - mais uma vez - a oportunidade de usar as circunstâncias favoráveis para modernizar a sua economia. Com a entrada de um ano de eleições presidenciais em nove países, há o risco de que seus políticos irá mais uma vez cair sob a atração do populismo".
O jornal londrino acrescenta que "seria difícil imaginar condições melhores" na economia mundial para países, como os latino-americanos, que dependem fortemente de exportações. "A liquidez está fluindo nos mercados internacionais (...) China e outras economias asiáticas em rápida expansão estão consumindo grandes quantidades de soja, minério de ferro e cobre. Altos preços da gasolina estão ajudando os exportadores de hidrocarbonetos", frisa o FT.
Para os editorialistas do FT, há sinais "perigosos" de uma onda de populismo no desempenho inferior dos países latino americanos no ano passado, enquanto os países emergentes registravam crescimento médio próximo de 6%, a região registrou expansão de 4%. As taxas latino-americanas de poupança e investimento também são baixas, com a exceção do Chile, segundo o jornal. "As taxas de investimento ainda não voltaram aos níveis de 1998. No Brasil, tão pouco está sendo investido em infra-estrutura que muitas estradas, pontes e portos estão ficando piores."
Entre as causas para o afastamento dos investidores potenciais e para a perda de atratividade de investimentos na região, o FT menciona "o sistema jurídico, burocratas ocupados com os próprios interesses e, em alguns países, a perspectiva de caos político". Os candidatos nas eleições deste ano na América Latina precisam se preparar para ciclos econômicos de longo prazo, reestruturar o setor público, reduzindo o tamanho da máquina estatal e aumentando a qualidade dos serviços prestados, e reforçar suas parcerias com empresas estrangeiras.
"Será difícil e complicado, mas os problemas da América Latina têm raízes profundas. Não há soluções fáceis e os políticos não devem fingir que elas existem", acrescentou o jornal.