Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

FSM quer ser mais popular e globalizado

Sexta, 09 de Janeiro de 2004 às 07:00, por: CdB

Às vésperas de realizar sua quarta edição - que acontecerá em Mumbai, na Índia, de 16 a 21 de janeiro - o Fórum Social Mundial ainda tem que vencer pelo menos três grandes desafios para poder consolidar-se como instrumento efetivo de luta internacional contra os efeitos nocivos da globalização econômica. Esses desafios são: tornar o FSM menos latino e transformá-lo num evento com maior participação de povos de outros continentes; torná-lo menos elitizado do ponto de vista sócio-cultural e aumentar a participação efetiva dos setores economicamente menos favorecidos da sociedade nas discussões; evitar as pressões pela partidarizaçao do Fórum.

Essas são as conclusões de uma pesquisa inédita, que traçou um perfil dos participantes do FSM. Divulgada nesta quinta-feira (8) pelo Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), a pesquisa mobilizou outras sete entidades e, sob a coordenação da Secretaria Internacional do FSM, ouviu 1.500 participantes da terceira edição do Fórum, que aconteceu em janeiro de 2003 em Porto Alegre. O estudo analisa três vertentes: as características dos participantes, seu engajamento na luta social e política e suas opiniões sobre a agenda pública de debates.

Apesar do crescimento do Fórum - que teve 20 mil participantes em 2001, 50 mil em 2002 e 100 mil em 2003 -, a desejada internacionalização do movimento ainda dá seus primeiros passos. Na terceira edição, 85,9% dos participantes eram brasileiros. Se considerados apenas os delegados, o percentual de brasileiros foi de 67%. Entre os estrangeiros presentes a Porto Alegre, a pesquisa identificou uma predominância de latino-americanos (39,7%), o que demonstra claramente que a internacionalização do FSM ainda é um objetivo a ser alcançado. A maior delegação estrangeira, como foi anunciado durante o evento, foi a dos Estados Unidos, mas o país, com 6,6%, só aparece em sexto lugar se levado em conta o número total de participantes no III FSM, ficando atrás de Argentina (13,1%), Uruguai (9,5%), Chile (8,7%), Paraguai (8,4%) e França (7,2%).

Esses índices mostram que o fator distância é o principal condicionante da participação das pessoas no Fórum. Daí a importância do deslocamento do evento para a Índia, abrindo novas possibilidades de participação, como destacou Candido Grzybowski, que é diretor do Ibase e membro da Secretaria Internacional do FSM: "Em Mumbai, teremos a oportunidade de compensar um pouco o déficit de globalidade geográfica do Fórum. É bom deixarmos de ser tão latinos", avalia, para completar: "A realidade é que, somados, os africanos, asiáticos e caribenhos presentes ao III Fórum eram pouco mais de 500 pessoas. Isso precisa mudar".

Grzybowski acredita que esse "déficit de globalidade geográfica" começou a ser revertido ainda em 2003, com a realização de vários fóruns regionais ou nacionais. Segundo a Secretaria Internacional, mais de 100 eventos regionais ligados ao FSM aconteceram no ano passado: "Vivemos um boom de fóruns em 2003. Alguns, como o Fórum Social Europeu, reuniram mais de 50 mil pessoas. Mas ainda precisamos melhorar o intercâmbio entre todos esses eventos", disse.

Grau de escolaridade é alto

A pesquisa aponta outro desafio para os organizadores do FSM: tornar o Fórum mais popular. A avaliação do grau de escolaridade dos presentes a Porto Alegre no ano passado mostra uma participação predominante de uma elite sócio-cultural no evento. Dois terços dos entrevistados pelos pesquisadores chegaram à faculdade. Eles têm curso superior completo (27,5%), incompleto (36,2%) ou mestrado e/ou doutorado (9,7%): "A pesquisa mostra que quem vai ao FSM é a elite dos movimentos sociais. É uma elite pensante e bem intencionada, mas é uma elite. O aprendizado e a esperança gerados pelo Fórum devem ser mais bem compartilhados com a base, com aqueles que, por um motivo ou outro, não podem ir ao evento", afirma Grzybowski.

O nível de ocupação profissional dos participantes do III

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