O 5º Fórum Social Mundial representou um êxito importantíssimo para o movimento internacional que luta por uma globalização justa e solidária. Seu sucesso, que nos permite caracterizá-lo como o "Fórum dos Fóruns", pode ser confirmado a partir de vários ângulos de análise.
Tomando-se como base a expressão numérica e a procedência dos participantes, foi a mais numerosa e representativa das cinco edições, tendo mais de 180 mil militantes provindos de 151 países de todos os continentes, o que confirma a efetiva mundialização do processo. Além de contar com presença expressiva de militantes sociais da África e da Ásia, neste Fórum os ativistas norte-americanos constituíram a segunda maior delegação estrangeira presente, atrás apenas dos vizinhos argentinos. Sinal notável da implantação da dinâmica do Fórum e da expansão da consciência antineoliberal e antiimperial também ao interior dos EUA, potência que desempenha papel chave no atual modelo de dominação no mundo.
Outros avanços importantes foram as experimentações desta quinta edição tanto no terreno metodológico quanto organizativo. Num plano, está a concretização do Território Social Mundial, que teve o caráter de exemplaridade e de demonstração das possibilidades de constituírem-se grandes aglomerados humanos a partir de parâmetros de uma sociedade pós-neoliberal, de uma nova e generosa noção de geografia humana. Uma sociedade fundada em outra economia política; nas soluções tecnológicas democratizantes a partir do conhecimento não-proprietário; na sustentabilidade ambiental; nas múltiplas expressões culturais emancipatórias e representativas da diversidade humana; e na convivência tolerante, amistosa e horizontal entre pessoas de gerações, etnias, religiões, idiomas, culturas e países muito diferentes.
Noutra dimensão, está a metodologia que favoreceu o processo autogestionário na definição da grade de programação das mais de 2.500 atividades do Fórum. Os resultados políticos demonstram que ficaram afastados os riscos de "aplainamento" do evento, assim como pode-se extrair duas derivações essenciais desta escolha: (i) esta opção metodológica permitiu incluir no centro protagonista do Fórum os sujeitos e atores sociais concretos de todos os cantos do mundo, que conduzem determinadas agendas e bandeiras que se universalizam no contexto do evento; e (ii) permitiu capturar o espírito real das lutas libertárias e humanistas que são travadas em todas as partes do globo. Estas escolhas facilitam a compreensão quanto à participação tão expressiva de povos e nações singulares, como os indígenas e os dalits, da Índia.
Mas o 5º Fórum foi, sobretudo, "o reino da política"; o mais politizado de todos os encontros mundiais anteriores. A partir dos seus debates, iniciativas e ações, conseguiu formular alternativas abrangentes para a superação da opressão, da exclusão e da dominação vigentes no mundo hoje. Avançou para além das formulações antineoliberais, aprofundando seu caráter antiimperialista e vocacionado para a crítica severa às insuficiências impostas pelo capitalismo ao conjunto da humanidade. Um encontro, enfim, que demonstrou a atualidade e vitalidade da esquerda e dos valores das quais é portadora; uma esquerda que soube capturar e incorporar o espírito e a subjetividade das juventudes, cuja presença massiva adquire relevância estratégica para a sucessão geracional e continuidade deste vigoroso processo.
O Fórum também nos ensina que a política pode ser exercida de muitas formas para além da clássica militância partidária, ou pelo menos que o universo partidário já não responde plenamente pelo anseio do protagonismo militante, em especial das novas gerações, desiludidas com os desvios ideológicos, fragilidade programática e insuficiência democrática de setores da esquerda tradicional. O que não equivale a validar determinadas posições ilusórias e paradoxais que vicejam no Fórum e que acreditam ser possível mudar-se o mundo sem conquistar-