Os frigoríficos que processam carne bovina no Estado de São Paulo, responsáveis por cerca de 70% dos embarques do Brasil, maior exportador mundial em volume, acreditam que os Estados Unidos poderão liberar, no início de 2006, as importações de carne fresca do país, disse o presidente do sindicato que reúne as indústrias do setor.
- Eu acho que os Estados Unidos serão praticamente obrigados a comprar do Brasil no ano que vem - afirmou em seu escritório em Barretos (SP) Edivar Vilela de Queiroz, presidente do Sindifrio (Sindicato da Indústria do Frio do Estado de São Paulo).
Queiroz diz que existe uma batalha de dois grandes lobbies nos Estados Unidos quando o assunto é a liberação da entrada da carne in natura do Brasil. De um lado há o lobby dos pecuaristas, contra a liberação, e do outro o das indústrias processadoras, totalmente favoráveis.
- A indústria dos EUA tem grande interesse em ter acesso ao fornecimento brasileiro, devido ao preço bastante inferior ao do mercado norte-americano. Nós poderíamos vender um bom volume de carne para produção de hambúrgueres - afirmou o dirigente.
O processo para que o Brasil possa embarcar carne bovina fresca para os EUA se arrasta há vários anos. Recentemente, o governo norte-americano enviou várias missões de técnicos, que vistoriaram frigoríficos de várias regiões brasileiras. O mercado norte-americano é o maior do mundo e é vital para que o Brasil possa manter o crescimento das exportações.
Apesar de ser o maior exportador mundial, o Brasil ainda está fora, segundo Queiroz, de 61 por cento do mercado mundial, devido a restrições sanitárias, principalmente relacionadas ao problema da febre aftosa (muitos países ainda não aceitam o sistema de zoneamento adotado pelo governo brasileiro para declarar áreas livres de aftosa, até que consiga controlar a doença em todo o território).
Nesta semana, a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) informou que as vendas de carne bovina deverão superar a previsão feita pela entidade no início do ano de receita de 3 bilhões de dólares.
A entidade disse que nos 12 meses até agosto deste ano as vendas geraram receita de 3,1 bilhões de dólares. Mas o Brasil lidera as exportações apenas em volume, já que está fora dos mercados mais lucrativos, dominados principalmente pela Austrália.
Frigoríficos de SP esperam abertura do mercado dos EUA em 2006
Sexta, 09 de Setembro de 2005 às 10:16, por: CdB