Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Francisco, o personagem político de 2014

Por Gilson Caroni Filho - Quem foi o personagem político de 2014? Para mim, sem qualquer sombra de dúvida, o Papa Francisco. E antes que um " revolucionário" anticlerical tenha uma crise histérica, vamos aos fatos.

Segunda, 29 de Dezembro de 2014 às 10:38, por: CdB
Rep/Web   Quem foi o personagem político de 2014? Para mim, sem qualquer sombra de dúvida, o Papa Francisco. E antes que um " revolucionário" anticlerical tenha uma crise histérica, vamos aos fatos. 1)Não seria possível lutar por reforma agrária no Brasil sem o apoio inestimável da Comissão Pastoral da Terra, alvo de ataques dos dois papas que precederam Francisco. 2) Não fosse o trabalho incansável do Conselho Indigenista Missionário, a situação dos índios estaria bem pior do que já está. 3) Haveria Movimento dos Trabalhadores Sem Terra( MST) sem o apoio logístico e ideológico dos setores progressistas da Igreja? Claro que não. 4) Quando falamos em trabalhar politicamente a sociedade, para que ocorram mudanças estruturais, como ignorar os avanços promovidos pelas Comunidades Eclesiais de Base? Como pensar o surgimento do novo sindicalismo dos anos 1980 e do próprio PT sem estes magníficos embriões? 5) Não bastasse o papel central do novo papa no restabelecimento das relações diplomáticas entre Cuba e os Estados Unidos, leio que ele recorrreu a Leonardo Boff para elaborar uma nova encíclica. E isso é um ótimo sinal. Perguntem a João Pedro Stédile o que ele acha? 6) Por fim, para os que gostam de associar Igreja a retrocessos e, sem dúvida, ela participou de vários, gostaria de lembrar a importância do clero progressista na Revolução Sandinista e na resistência em El Salvador. Sem esquecer o que é tão óbvio: a contribuição de bispos e padres, quase todos ligados à Teologia da Libertação, para a redemocratização do nosso país. Por tudo isso, eu aposto no Chico. Estou muito longe de ser carola, mas pergunto aos anticlericais: que avanço vocês promoveram nos últimos 30 anos?   Gilson Caroni Filho,  é professor de Sociologia da Facha (RJ) e escreve para o Correio do Brasil.  
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