Rio de Janeiro, 19 de Abril de 2026

Franceses tomam as ruas em nova onda de protestos

Trabalhadores do setor de transporte e professores convocaram uma nova greve na França nesta terça-feira e milhares de estudantes tomaram as ruas em várias cidades, na esperança de enterrar uma lei que facilita demitir jovens no país no início de carreira. (Leia Mais)

Terça, 04 de Abril de 2006 às 07:28, por: CdB

Trabalhadores do setor de transporte e professores convocaram uma nova greve na França nesta terça-feira e milhares de estudantes tomaram as ruas em várias cidades, na esperança de enterrar uma lei que facilita demitir jovens no país no início de carreira. Sindicatos e estudantes repetiram os protestos da semana passada que levaram entre 1 milhão e 3 milhões às ruas de todo o país contra o chamado Primeiro Contrato de Emprego (CPE).

Há indicações, no entanto, de que os líderes dos protestos podem estar se preparando para iniciar negociações com o governo - a lei entrou em vigor no domingo.

Os aeroportos franceses chegaram a operar com atrasos entre 30 a 90 minutos nos vôos; apenas dois a cada três trens de alta velocidade deixaram as estações parisienses na manhã desta terça.

Bloqueios

Estudantes chegaram a tentar montar bloqueios nas estradas, estradas de ferro e aeroportos, mas foram impedidos pelas forças policiais. O metrô de Paris foi pouco afetado durante a manhã e a polícia mobilizou 4 mil policiais para patrulhar as ruas de Paris. A intenção era impedir a repetição das cenas de violência do dia 28 de março, quando a polícia parisiense usou bombas de gás lacrimogêneo contra centenas de jovens, que atacaram os policiais com bombas de fabricação caseiras e garrafas.

Trégua

Apesar de declarações como a do sindicalista François Chereque, que afirmou que "o objetivo dos protestos é assegurar a morte do CPE", há sinais de que a oposição à nova lei estaria disposta a negociar com o governo. Bruno Julliard, que dirige a união de estudantes Unef, disse que poderia aceitar um convite para negociar do partido do governo, o União para o Movimento Popular (UMP).

- Vamos dizer sim a um convite, se houver a garantia que nenhum contrato do CPE vai ser assinado nos próximos dias - disse Julliard à rádio France Inter.

Julliard, assim como os sindicalistas, acredita que "estamos à beira da vitória".

Os jornais franceses afirmam que o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, tomou o lugar do primeiro-ministro, Dominique de Villepin, na busca de uma solução negociada. Apesar das relações estremecidas com Chirac, Sarkozy é apontado como o principal rival de Villepin para concorrer à sucessão do presidente.

Villepin em baixa

Nesta terça, uma pesquisa divulgada pelo instituto BVA de pesquisas, indica que a aprovação da política econômica de Villepin é a menor desde que ele assumiu o posto, há um ano. A pesquisa da BVA afirma que 25% dos franceses aprovam a forma com que Villpein dirige a economia. Cinco pontos a menos do que há um mês e uma aprovação menor do que o pior desempenho do seu predecessor, Jean-Pierre Raffarin.

O presidente Jacques Chirac sancionou a nova lei trabalhista na sexta-feira, mas prometeu modificações, como reduzir o prazo em que um jovem no primeiro emprego pudesse ser demitido, de dois anos para um, e com o empregador sendo obrigado a apresentar uma razão para a demissão - o que não estava previsto antes. Os sindicatos afirmam que as modificações são inaceitáveis.

O objetivo da lei é reduzir o desemprego, que chega a 20% entre a população jovem na França. Segundo a lógica do governo, ao facilitar demissões, ele daria incentivos para abertura de vagas. O desemprego entre os jovens tem sido apontado como uma das razões para os protestos do ano passado na França nas áreas mais pobres do país.

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