Trabalhadores do setor de transporte e professores convocaram uma nova greve na França nesta terça-feira e milhares de estudantes tomaram as ruas em várias cidades, na esperança de enterrar uma lei que facilita demitir jovens no país no início de carreira. Sindicatos e estudantes repetiram os protestos da semana passada que levaram entre 1 milhão e 3 milhões às ruas de todo o país contra o chamado Primeiro Contrato de Emprego (CPE).
Há indicações, no entanto, de que os líderes dos protestos podem estar se preparando para iniciar negociações com o governo - a lei entrou em vigor no domingo.
Os aeroportos franceses chegaram a operar com atrasos entre 30 a 90 minutos nos vôos; apenas dois a cada três trens de alta velocidade deixaram as estações parisienses na manhã desta terça.
Bloqueios
Estudantes chegaram a tentar montar bloqueios nas estradas, estradas de ferro e aeroportos, mas foram impedidos pelas forças policiais. O metrô de Paris foi pouco afetado durante a manhã e a polícia mobilizou 4 mil policiais para patrulhar as ruas de Paris. A intenção era impedir a repetição das cenas de violência do dia 28 de março, quando a polícia parisiense usou bombas de gás lacrimogêneo contra centenas de jovens, que atacaram os policiais com bombas de fabricação caseiras e garrafas.
Trégua
Apesar de declarações como a do sindicalista François Chereque, que afirmou que "o objetivo dos protestos é assegurar a morte do CPE", há sinais de que a oposição à nova lei estaria disposta a negociar com o governo. Bruno Julliard, que dirige a união de estudantes Unef, disse que poderia aceitar um convite para negociar do partido do governo, o União para o Movimento Popular (UMP).
- Vamos dizer sim a um convite, se houver a garantia que nenhum contrato do CPE vai ser assinado nos próximos dias - disse Julliard à rádio France Inter.
Julliard, assim como os sindicalistas, acredita que "estamos à beira da vitória".
Os jornais franceses afirmam que o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, tomou o lugar do primeiro-ministro, Dominique de Villepin, na busca de uma solução negociada. Apesar das relações estremecidas com Chirac, Sarkozy é apontado como o principal rival de Villepin para concorrer à sucessão do presidente.
Villepin em baixa
Nesta terça, uma pesquisa divulgada pelo instituto BVA de pesquisas, indica que a aprovação da política econômica de Villepin é a menor desde que ele assumiu o posto, há um ano. A pesquisa da BVA afirma que 25% dos franceses aprovam a forma com que Villpein dirige a economia. Cinco pontos a menos do que há um mês e uma aprovação menor do que o pior desempenho do seu predecessor, Jean-Pierre Raffarin.
O presidente Jacques Chirac sancionou a nova lei trabalhista na sexta-feira, mas prometeu modificações, como reduzir o prazo em que um jovem no primeiro emprego pudesse ser demitido, de dois anos para um, e com o empregador sendo obrigado a apresentar uma razão para a demissão - o que não estava previsto antes. Os sindicatos afirmam que as modificações são inaceitáveis.
O objetivo da lei é reduzir o desemprego, que chega a 20% entre a população jovem na França. Segundo a lógica do governo, ao facilitar demissões, ele daria incentivos para abertura de vagas. O desemprego entre os jovens tem sido apontado como uma das razões para os protestos do ano passado na França nas áreas mais pobres do país.