Ministro da Defesa da França, Hervé Morin minimizou, nesta quarta-feira, as informações de que a Força Aérea Brasileira preferiria um avião sueco em detrimento do francês Rafale, que Paris espera vender ao Brasil. Na véspera, o diário paulistano Folha de S.Paulo publicou que o relatório da FAB sobre a escolha de um novo caça aponta o Gripen NG, da sueca Saab, como melhor opção, à frente do F-18 Super Hornet, da norte-americana Boeing, e do Rafale, da francesa Dassault. Morin disse, no entanto, que a decisão, a ser tomada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, incluirá uma série de fatores estratégicos de longo prazo.
– Estamos confiantes com nossas relações com o Brasil. Comprar uma aeronave de combate é comprar um sistema de armas completo, não é simplesmente comprar algo que você tira da prateleira. É decidir o que você vai incluir, que tipo de míssil, qual radar, quais sistemas de proteção, quais exigências de manutenção, é uma decisão para 40 anos. É uma decisão com uma quantidade enorme de parâmetros, então, inevitavelmente, é uma longa discussão – disse Morin à emissora de televisão BFM, lembrando que a França já garantiu encomendas de submarinos e helicópteros do Brasil, da ordem de 4,5 bilhões de euros, como parte de um acordo de defesa estratégica.
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, conta com sua sólida relação pessoal com Lula para ajudar a selar o acordo, que pode ser a primeira exportação do Rafale e tem o potencial de abrir as portas para vendas da aeronave em outras regiões. O Rafale é a próxima geração francesa de caças de multiemprego e tem sido o carro-chefe da indústria de armas francesa. O modelo, no entanto, tem tido dificuldades em encontrar compradores externos, embora tenha sido finalista em várias concorrências.
Reação no Parlamento
O senador Renato Casagrande (PSB-ES) quer que a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado (CRE) ouça o ministro da Defesa, Nelson Jobim, sobre o processo de escolha da empresa que fornecerá 36 aeronaves para a Força Aérea Brasileira (FAB).
– Nós já tínhamos muitas dúvidas com relação à decisão (do presidente Luiz Inácio Lula da silva) pelos caças franceses. Naturalmente, as nossas dúvidas aumentam. Cabe ao Senado tentar esclarecer todas essas dúvidas. Queremos saber o que orientou a FAB em seu relatório e como o governo vai se posicionar em relação ao tema – justificou Casagrande.
Em setembro de 2009, antes da conclusão do relatório, o presidente Luiz Lula chegou a anunciar a decisão de iniciar as negociações para a compra dos caças franceses Rafale, fabricados pela Dassault. Depois, o próprio governo negou que a decisão já tivesse sido tomada.