Apenas 1,5 milhão de eleitores franceses (menos de 4% do total) vão votar nas eleições presidenciais no próximo domingo utilizando urnas eletrônicas. Mesmo assim, mais de 59 mil pessoas já assinaram na internet uma petição contra o uso delas.
O motivo para a polêmica, segundo os críticos, é que o sistema seria pouco confiável já que, além de poder apresentar falhas, poderia também ser pirateado como qualquer computador.
Em algumas localidades, como em Hauts-de-Seine, na periferia de Paris, representantes de vários candidatos pediram aos prefeitos da região para que suspendam a utilização de urnas eletrônicas nessas eleições presidenciais.
O candidato do governo, o ex-ministro do Interior Nicolas Sarkozy, que vem liderando as pesquisas de opinião, é também presidente do conselho-geral de Hauts-de-Seine.
O município de Vandoeuvre-lès-Nancy, no leste da França, decidiu abandonar as urnas eletrônicas já adquiridas e voltar a utilizar cédulas eleitorais no pleito presidencial. A cidade de 32 mil habitantes utilizou urnas eletrônicas nas eleições européias em 2004 e no referendo sobre a Constituição Européia, em 2005.
Olivier Simon, diretor-geral de serviços da prefeitura dessa periferia de Nancy, explica a decisão de retomar o uso das cédulas, afirmando que "certos candidatos e partidos políticos não têm confiança no sistema informatizado".
No total, 82 cidades de mais de 3,5 mil habitantes foram equipadas com urnas eletrônicas para as eleições presidenciais na França.
O governo afirma que esse sistema reduz os custos da votação e acelera a contagem dos votos, além de ter um impacto positivo para o meio ambiente, em razão do menor consumo de papel.
Mas apesar dos argumentos plausíveis, as críticas ao sistema são inúmeras. Delfour diz que "já com as cédulas eleitorais, exceto casos pouco prováveis, a impossibilidade de fraude é praticamente garantida".
Alguns acham, no entanto, que as reticências em relação ao sistema informatizado podem ser explicadas pelo fato de que os franceses são ligados à tradição dos documentos em papel.
Isso explicou o atraso, hoje já recuperado, dos franceses em relação ao uso da internet há alguns anos.
Os opositores ao sistema também alegam que a votação informatizada deixou de ser utilizada, em alguns casos temporariamente, em inúmeros países, como a Irlanda, Itália, Bélgica, Espanha e Finlândia.
Eles também lembram o episódio ocorrido no Quebec, no Canadá, no qual as máquinas contaram os votos duas vezes. E também o drama ocorrido na Flórida nas eleições presidenciais nos Estados Unidos em 2000, na qual George W. Bush foi eleito.
A França optou justamente por uma tecnologia americana para sua votação informatizada.
As urnas eletrônicas nas quais alguns franceses vão escolher o próximo presidente do país foram fabricadas pela empresa ES&S, dos Estados Unidos.
Rio de Janeiro, 18 de Janeiro de 2026
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