Rio de Janeiro, 26 de Abril de 2026

Franceses migram para partidos de extrema direita após distúrbios

Quarta, 11 de Janeiro de 2006 às 07:54, por: CdB

A onda de violência nos subúrbios da França, ocorrida entre o final de outubro passado e meados de novembro, levou muitos eleitores do país a aderirem a partidos políticos de extrema direita, como o Front National, de Jean-Marie Le Pen, e o MPF (Movimento para a França), presidido por Philippe de Villiers. O número de membros do MPF passou de 7,2 mil no ano passado para 16,3 mil em 2005, aumento de 126%. Segundo a direção do MPF, apenas durante as três semanas de confrontos nos subúrbios franceses, 3,2 mil pessoas filiaram-se ao partido.

Nesse período de crise, o partido informou recentemente ter recebido 10 mil emails de pessoas querendo obter informações sobre o MPF e denunciando as depredações de prédios e carros por todo o país. Cerca de dez mil veículos foram queimados na França. O Front National, considerado mais extremista do que o MPF, continua utilizando o tema dos problemas nas periferias pobres do país, onde vivem majoritariamente pessoas de baixa renda de origem estrangeira, como argumento para atrair novos eleitores.

No site do partido, o boletim de adesão ao FN tem o slogan "Em razão das revoltas nas periferias, adquira seu seguro de vida francês. Faça sua adesão ao Front National". O presidente do partido, Jean-Marie Le Pen, denunciou a "política louca de imigração da França como responsável pelas revoltas dos jovens nas periferias". Recentemente, Le Pen afirmou que apenas a suspensão imediata da imigração na França permitiria resolver o problema nas periferias desfavorecidas do país. Em muitas dessas áreas, a taxa de desemprego entre os jovens chega a 40%.

Éric Iorio, secretário nacional de adesões ao FN, diz que o partido recebeu 12 mil emails em novembro, a maior parte começou a ser enviada uma semana após o início dos confrontos. Segundo Iorio, o número de adesões mensais aumentou 30% em novembro.   O Front National informa ter 75 mil membros, número considerado exagerado por outros partidos e alguns analistas. Recentemente, o jornal Le Monde publicou em sua manchete uma pesquisa sobre a imagem do Front National após a crise nas periferias. De acordo com o jornal "as idéias da extrema direita representadas por Jean-Marie Le Pen continuam se banalizando. Cada vez menos franceses estão rejeitando as propostas de Le Pen para os grandes problemas do país".

Segundo a pesquisa, 25% dos franceses aprovam o discurso do FN sobre a situação nas periferias. A pesquisa revela também que o número de eleitores que consideram as idéias de Le Pen "inaceitáveis", atualmente 39% de acordo com a sondagem, caiu 5 pontos percentuais em relação a 2004 e 9 pontos percentuais em relação a 1997. Ainda segundo o levantamento do Le Monde, 33% dos franceses pensam que Le Pen disputará o segundo turno das eleições presidenciais, em 2007.

O presidente do Front National chocou a opinião pública há alguns anos ao afirmar que "as câmaras de gás nazistas são um detalhe da história". Agora, seu discurso sobre a imigração e a crise nas periferias parece estar conquistando uma maior parte do eleitorado francês.

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